Ataques de terroristas palestinos a policiais e cidadãos israelenses têm aumentado na cidade, gerando o temor de uma nova intifada, revolta palestina contra o Estado judeu

Reuters

Israelenses e palestinos se comprometeram a tomar medidas concretas para acalmar as tensões em torno do local mais sagrado de Jerusalém, afirmou, nesta quinta-feira (13), o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, após negociações na capital da Jordânia.

Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, cumprimenta secretário de Estado dos EUA, John Kerry
AP
Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, cumprimenta secretário de Estado dos EUA, John Kerry

A violência aumentou nas últimas semanas em torno do complexo, reverenciado pelos muçulmanos como Nobre Santuário, onde está a mesquita Al-Aqsa, e pelos judeus como Monte do Templo, onde ficavam seus templos bíblicos.

Os confrontos entre a polícia israelense e os palestinos provocaram temores de um novo levante palestino.

Todas as partes concordaram com "ações específicas e práticas que ambos os lados podem tomar para restaurar a calma", disse Kerry, recusando-se a dizer quais eram essas ações.

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"Hoje estamos trabalhando para sufocar as faíscas de tensão imediata para que elas não se tornem um incêndio", acrescentou Kerry, ao lado do ministro das Relações Exteriores jordaniano, Naser Judeh. A Jordânia tem a custódia dos locais.

Kerry falou depois de uma reunião incomum, de quase três horas, com o rei Abdullah, da Jordânia, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, participou pelo telefone e prometeu incentivar a retomada das negociações entre palestinos e israelenses, disse o secretário de Estado norte-americano.

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Kerry se reuniu no início do dia com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Mas Abbas não compareceu à reunião com Netanyahu, um sinal da profunda desconfiança entre Israel e os palestinos.

Os ultranacionalistas em Israel estão desafiando uma proibição de décadas sobre a reza de judeus no Monte do Templo. Mas Judeh disse que Netanyahu mostrou "compromisso" com a manutenção do status quo no local e o respeito à guarda da monarquia jordaniana dos locais sagrados.

Judeh afirmou que a Jordânia não mandará de volta seu embaixador a Tel Aviv, quem foi chamado na semana passada em protesto contra as ações de Israel, até que observe provas concretas para diminuir as tensões.

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"Israel tem que remover todos os elementos de instabilidade que estamos vendo. Temos que esperar e ver se isso será feito", disse ele.

Mais cedo, Abdullah acusou Israel de "ataques repetidos" a locais sagrados em Jerusalém e disse que isso precisa parar.

Autoridades religiosas jordanianas que administram os locais muçulmanos disseram que houve um número sem precedentes de ataques por ultranacionalistas dentro da mesquita neste ano. Netanyahu acusou os palestinos na Cisjordânia de fomentar a violência.

Funcionários jordanianos temem que tumultos mais amplos na Cisjordânia possam transbordar para seu próprio país, onde a maioria da população é de descendentes de palestinos que fugiram atravessando o rio Jordão, após a criação de Israel em 1948.

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