Familiares das mais de 300 vítimas, maioria deles adolescentes, criticaram sentença emitida, dizendo que ela era muito branda

O capitão da balsa que naufragou no início deste ano deixando mais de 300 mortos – a maioria deles alunos – e causou comoção na Coreia do Sul foi sentenciado a 36 anos de prisão nesta terça-feira (11) por negligência e abandono de passageiros.

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Parentes de nove passageiros desaparecidos da balsa Sewol choram durante coletiva em um ginásio no sudoeste da ilha de Jindo, na Coreia do Sul
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Parentes de nove passageiros desaparecidos da balsa Sewol choram durante coletiva em um ginásio no sudoeste da ilha de Jindo, na Coreia do Sul

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O veredicto foi antecipado em meio à contínua dor e apelo por justiça em um dos piores desastres da história da Coréia do Sul. Os familiares das vítimas, a maioria deles adolescentes, criticaram a sentença dizendo que a condenação de Lee Joon-seok e de outros membros da tripulação foi muito branda. Alguns choraram e gritaram durante o processo judicial.

"Você sabe quantas crianças foram mortas?", um dos parentes disse, de acordo com o advogado de defesa.

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O Tribunal Distrital de Gwangju, sul do país, absolveu Lee da acusação de homicídio porque foi difícil acreditar que o capitão sabia que suas ações resultariam em um grande número de mortes, de acordo com um comunicado do tribunal. O tribunal disse que Lee emitiu ordem para que o navio fosse esvaziado.

Amplamente difamado, Lee poderia ter sido sentenciado a morte sob acusação de homicídio. A Coreia do Sul não executa ninguém desde o final de 1997, embora seus tribunais, ocasionalmente, emitam a punição.

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Lee pediu desculpas por abandonar os passageiros, mas disse que não sabia que suas ações levariam a tantas mortes. A corte sentenciou o engenheiro chefe do navio a 30 anos de prisão e outros 13 membros da tripulação a 20 anos de cadeia, de acordo com comunicado.

O engenheiro, Park Ki-ho, foi condenado por homicídio por ter abandonado dois colegas feridos, fugido da balsa e não contado aos socorristas sobre eles, mesmo sabendo que seus colegas morreriam sem ajuda, disse o comunicado do tribunal.

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No entanto, o tribunal cancelou as acusações de homicídio a outros membros da tripulação pelo mesmo raciocínio utilizado para absolver o capitão do homicídio, disse o comunicado. Os membros da tripulação pegaram entre 15 e 20 anos de prisão. O grupo tem uma semana para a apelar da decisão, de acordo com a corte.

Os 15 membros da tripulação com a tarefa de navegar na balsa Sewol têm enfrentado críticas públicas contundentes por terem escapado do navio enquanto muitos de seus passageiros ainda estavam lá dentro. Um total de 476 passageiros estavam a bordo do navio e apenas 172 foram resgatados. A maioria dos mortos eram estudantes que viajam para uma ilha resort em uma viagem escolar.

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Quase sete meses após o naufrágio, 295 corpos foram recuperados, mas nove ainda estão desaparecidos. Autoridades sul-coreanas disseram nesta terça que já terminaram as buscas por desaparecidos porque só havia chance remota de encontrar mais corpos enquanto as preocupações crescem sobre a segurança dos mergulhadores. Dois deles foram mortos durante as buscas.

"Enquanto nossos entes queridos permanecem presos nas águas frias, esta decisão é insuportavelmente dolorosa para nós. Mas nós pedimos que as operações de buscas parem, considerando as preocupações com a segurança", disse Min Dong-im, de 36 anos, mulher de um professor desaparecido sob lágrimas enquanto participava de uma coletiva.

O naufrágio provocou dor generalizada e uma luta rara de exame de consciência sobre as práticas de segurança no país. Autoridades culparam a sobrecarga de passageiros, armazenamento inadequado e corrupção dos proprietários do navio, que impediram gastos o suficiente com segurança, juntamente com o comportamento dos membros da tripulação pelo naufrágio.

Na última sexta-feira, legisladores sul-coreanos aprovaram planos para desmantelar a guarda costeira e transferirem suas responsabilidades para outras agências governamentais. A guarda costeira foi criticada por seus esforços de resgate lentos. Também na semana passada, três parentes do bilionário proprietário do navio foram condenados a até três anos de prisão, cerca de quatro meses após o magnata ter sido encontrado morto depois de ser considerado foragido.

Os promotores acusaram os membros da tripulação de conluio para abandonar o navio, mesmo sabendo que os passageiros seriam presos e mortos depois de o navio afundar. A defesa no julgamento negou qualquer conluio entre os membros da tripulação, dizendo que eles estavam confusos, feridos e em pânico.

Muitos alunos que sobreviveram ao desastre disseram que foram instruídos repetidamente através de um altifalante a ficarem no navio que afundava e que não lembravam de nenhuma ordem para abandonar o navio. 

Lee, porém, diz ter emitido ordem para esvaziar o navio. Mas ele inicialmente disse a jornalistas dias depois de sua prisão que reteve a ordem porque as equipes de resgate ainda tinha que chegar e ele temia pela segurança dos passageiros nas águas frias e rápidas do lugar.

A Coreia do Sul passou meses debatendo questões de segurança pública que os críticos dizem ter sido ignoradas enquanto o país cresceu e se transformou em potência econômica asiática nas décadas que seguiram a Guerra da Coreia (1950-1953).

O país tem enfrentado uma série de pequenos acidentes mortais desde o naufrágio. Em meados de outubro, por exemplo, 16 pessoas assistiam a um show pop ao ar livre quando caíram de uma altura de 20 metros direto para a morte quando a grade de ventilação que estavam sob seus pés se romperam.

*Com AP

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