Consulta informal na Catalunha aponta 80% favoráveis à independência

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Voto foi considerado inconstitucional pela Justiça espanhola; para Executivo catalão, consulta abre caminho para plebiscito

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Oitenta por cento dos eleitores aprovaram a separação da Espanha na consulta popular informal realizada na Catalunha no domingo (10).

Ontem: Catalães participam de votação simbólica sobre separação da Espanha

Reuters
Eletores responderam se querem um Estado catalão e se ele deve ser independente da Espanha

Governo: Corte espanhola suspende consulta sobre independência da Catalunha

A polêmica votação na região semiautônoma foi considerada inconstitucional pela Justiça espanhola e realizada sob forte oposição do governo de Madri. Já o líder do Executivo catalão, Artur Mas, disse que a consulta foi um "grande sucesso" que deverá abrir caminho para um plebiscito formal.

"Ganhamos o direito de um plebiscito", disse Mas a partidários. "Mais uma vez a Catalunha mostrou que quer governar a si própria."

Dia 9: Presidente da Catalunha diz que consulta sobre independência teve 'êxito total'

"Peço ao mundo, peço à imprensa e peço também aos governos democráticos do mundo que ajudem o povo catalão a decidir seu futuro político."

Na consulta, foram feitas duas perguntas aos eleitores: se eles desejavam que a Catalunha se transformasse em um Estado-nação e se eles desejavam que esse Estado fosse independente.

A vice-presidente do Executivo catalão, Joana Ortega, disse que mais de dois milhões de pessoas participaram da consulta e que, com quase todos os votos apurados, 80,72% dos eleitores haviam respondido sim às duas perguntas.

AP
Em Barcelona, protesto pela votação teve um início de conflito, mas ninguém foi preso

Cerca de 10% responderam sim à primeira questão e não à segunda, segundo ela, e cerca de 4,5% disseram não às duas perguntas.

Antes da votação, o ministro da Justiça da Espanha, Rafael Catala, disse que a consulta era "inútil".

"O governo considera que este é um dia de propaganda política organizado por forças pró-independência e não possui nenhum tipo de validade democrática", disse ele em comunicado.

Nacionalismo

Pesquisas de opinião indicam que cerca de 80% dos catalães desejam um plebiscito oficial para definir o status da Catalunha, e que cerca de 50% são favoráveis à independência da Espanha.

Bandeiras à favor da independência da Catalunha foram exibidas em diversas casas em Barcelona no dia do referendo Em Barcelona, protesto pela votação teve um início de conflito, mas ninguém foi preso Votação foi considerada inconstitucional pela Justiça espanhola

Reuters
Votação foi considerada inconstitucional pela Justiça espanhola

Por outro lado, na linha da argumentação do governo, partidos espanhóis contrários à separação dizem que a consulta não reflete de maneira legítima os desejos da região - já que foi realizada por grupos pró-independência.

O grupo Libres e Iguales é contra a votação e realizou protestos em diversas cidades. Um protesto em Barcelona, capital da Catalunha, teve um início de conflito, mas ninguém chegou a ser preso.

Manifestações a favor da consulta também foram realizadas. Mais de 40 mil voluntários participaram da realização da votação.

O grupo Assembleia Nacional Catalã recolheu assinaturas nos locais de votação para uma petição que deverá ser enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Europeia para tentar convencer a Espanha a permitir a realização de um plebiscito oficial.

A Catalunha é uma rica região da Espanha com 7,5 milhões de habitantes. Ela contribui mais para a economia espanhola do que recebe de volta por meio de fundos do governo central. Disputas econômicas e diferenças culturais deram força ao nacionalismo na região.

Segundo o correspondente da BBC Chris Morris, muitos catalães sentem que fazer parte de um único Estado, o espanhol, não é a solução mais adequada à sua identidade.

A história de luta pela independência - ou pelo menos mais autonomia - na região é longa. Em 2006, a Catalunha passou a se considerar uma região com status de "nação", mas isso foi derrubado pelo Tribunal Constitucional em 2010.

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