Visitantes conhecem terror sofrido pelos que tentavam cruzar o Muro de Berlim

Por Agência Brasil |

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Prisão da polícia secreta da República Democrática Alemã permanece com as instalações preservadas para a visitação

Agência Brasil

A última das 17 prisões comandadas pela Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã, permanece com as instalações preservadas na região leste de Berlim. Na celebração dos 25 anos da queda do muro que dividiu a cidade nos anos de guerra fria, o lugar, que recebeu 385 mil visitantes em 2013, é uma das principais atrações de turistas que querem conhecer os horrores vividos pelos prisioneiros políticos do regime comunista.

Alemanha comemora os 25 anos da queda do muro de Berlim

Nossa reportagem embarcou em uma das visitas guiadas. Na parte externa, muros altos, arame farpado e bases de vigilância deixam claro que se trata de uma prisão. Mas nosso guia garante que, à época, não era possível ter acesso visual ao prédio e ninguém sabia o que estava acontecendo ali. “Esses eram locais secretos. O encarceramento e a tortura existiam, as pessoas tinham uma ideia disso, mas ninguém sabia exatamente para onde essas pessoas eram levadas”, conta ele.

Veja: Como a Alemanha Oriental 'vendia' pessoas contrárias ao regime

Giselle Garcia/ Agência Brasil
Última das 17 prisões comandadas pela polícia secreta da antiga República Democrática Alemã permanece aberta a visitantes

A área, que originalmente abrigava uma cozinha industrial, foi tomada pelos soviéticos em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, e transformada em campo de concentração. Mais de 20 mil prisioneiros foram levados para o lugar e submetidos a condições desumanas. Em 1947, o campo foi desativado e o primeiro prédio da prisão foi construído; um porão, com 68 celas. Cada cela abrigava de quatro a até 20 prisioneiros. Eles dormiam em uma cama conjunta de madeira. O lugar não tinha janela, apenas uma pequena entrada de ar. Uma lâmpada, com luz fraca, ficava acesa 24 horas por dia.

A população da prisão era composta, principalmente, por cidadãos que queriam deixar a Alemanha Oriental ou que discordavam, de alguma forma, do regime comunista. Supostos nazistas, políticos simpatizantes de partidos democráticos e desertores do Exército também eram levados para o local. “Ali, as pessoas viviam todo tipo de tortura psicológica e, às vezes, física também. Por meio de longos interrogatórios e ameaças, elas eram forçadas a assinar confissões de crimes que não tinham cometido”, relembra o guia.

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Em 1951, o segundo prédio foi construído, com 106 celas e 120 salas de interrogatório. Os detidos eram obrigados a dormir de modo que os guardas pudessem observar seus rostos. Quem desobedecesse, era acordado por uma sirene e ordenado a retomar a posição. No porão do prédio, salas com isolamento acústico e sem iluminação abrigavam, temporariamente, prisioneiros descontrolados ou que estivessem fazendo muito barulho.

A chanceler alemã Angela Merkel deixa vela em homenagem aos que morreram tentando fugir da Alemanha Oriental. Foto: APMerkel e o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, caminham ao lado de parte remanescente do antigo muro. Foto: APMenina de três anos deixa flores em parte do antigo muro de Berlim. Foto: APA instalação chamada 'Lichtgrenze' (muro de luz) é formada por 8 mil balões luminosos de hélio. Foto: APA instalação está posicionada no local onde existia o Muro de Berlim. Foto: APPedestres caminham ao lado da instalação. Foto: APMuro de Berlim foi construído em 1961 durante a Guerra Fria. Foto: APO último presidente na URSS, Mikhail Gorbachev, está na Alemanha durante as comemorações. Ele alerta que mundo está a beira de uma Guerra Fria. Foto: APCidadão de Berlim Oriental abraça mulher em Berlim Ocidental após a abertura da fronteira, no dia da queda do Muro de Berlim, em 10 de novembro de 1989. Foto: FABRIZIO BENSCH/REUTERS/Newscom

De 1951 a 1989, mais de 11 mil pessoas passaram pela prisão. Algumas permaneciam por semanas, meses ou anos. Outras, morreram nas celas, sonhando com a liberdade. Apenas em dezembro de 1989, um mês depois da queda do Muro de Berlim, o último prisioneiro foi libertado. No ano seguinte, a prisão fechou as portas. Era o fim de quatro décadas de repressão e tortura, cujas marcas ainda estão vivas na memória de quem viveu aquela época.

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