"Cansei", diz procurador-geral do México em gafe sobre massacre de estudantes

Por Reuters |

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Declaração foi feita após dizer à imprensa que os estudantes foram aparentemente incinerados por traficantes e seus restos mortais despejados em um depósito de lixo e rio

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Depois de semanas respondendo a perguntas sobre o sequestro e o massacre de 43 estudantes supostamente por policiais corruptos em conluio com traficantes de drogas, o procurador-geral do México Jesus Murillo se cansou. Ele não é o único.

Diante de questionamentos sobre os detalhes do caso, que chocou o país e provocou indignação com a impunidade, Murillo procurou encerrar uma entrevista coletiva na sexta-feira à noite com a frase "Ya me canse", ou "Já me cansei".

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Manifestantes fazem ato em frente ao palácio presidencial na Cidade do México

A declaração foi feita após ele dizer à imprensa que os estudantes foram aparentemente incinerados por membros de quadrilhas de traficantes de drogas e seus restos mortais despejados em um depósito de lixo e um rio.

Leia mais: Membros de cartel no México "admitem morte de estudantes"

As palavras de Murillo ganharam repercussão, com #YaMeCanse e #estoycansado (Estou cansado) entre as hashtags mais populares no Twitter no México.

Os manifestantes que protestaram contra o gerenciamento do caso pelo governo usaram a frase em pichações na entrada do escritório do procurador-geral.

Muitos usuários do Twiter disseram que, como Murillo, eles estavam cansados - mas da impunidade, da injustiça e de políticos corruptos. Alguns escreveram que se Murillo estava tão cansado, ele deveria renunciar.

O caso é o maior desafio até o momento para o presidente Enrique Peña Nieto, que assumiu o cargo há dois anos prometendo restaurar a ordem no México, onde cerca de 100 mil pessoas morreram na violência ligada ao crime organizado desde 2007.

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas da Cidade do México e do Estado de Guerrero, no sudoeste do país, onde os estudantes foram sequestrados nas últimas semanas para condenar o gerenciamento do caso pelo governo.

Seis semanas após o sequestro, o governo ainda não confirmou o destino dos estudantes.

Milhares marcharam na noite de sábado do escritório do procurador-geral para a praça de Zocalo, na Cidade do México. Muitos carregaram cartazes feitos a mão e faixas com a hashtag, assim como cartazes pedindo a renúncia de Murillo. Outra marcha de manifestantes que caminharam 180 quilômetros de Iguala para a capital deve chegar a Zocalo, neste domingo.

Peña Nieto, que tem tentado mudar o foco do público da violência sangrenta para reformas econômicas, tem viagem programada para a China na próxima semana para atrair investimentos ao México.

Porém, os parentes de alguns dos estudantes mortos alertam que o presidente mexicano deveria pensar duas vezes sobre se deveria partir para a China sob as circunstâncias.

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