Esse grupo era forçado a assistir a vídeos de decapitações e apanhava com cabos durante meses, diz Human Rights Watch

Reuters

Militantes do Estado Islâmico na Síria forçaram crianças de 14 anos em diante a assistirem a vídeos de decapitações e bateram nelas com cabos durante os seis meses em que foram mantidas em cativeiro, disse a organização Human Rights Watch nesta terça-feira (4).

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Crianças refugiadas sírias observam através da janela de um prédio que virou centro de refugiados em cidade que faz fronteira com a Turquia (19/10)
AP
Crianças refugiadas sírias observam através da janela de um prédio que virou centro de refugiados em cidade que faz fronteira com a Turquia (19/10)


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Os militantes muçulmanos sunitas sequestraram um grupo de crianças no dia 29 de maio, quando retornavam para a cidade síria de Kobani após prestarem um exame escolar na cidade de Aleppo, e libertaram os últimos 25 reféns em 29 de outubro.

O Estado Islâmico assumiu o controle de faixas territoriais de Iraque e Síria, declarando um califado islâmico transfronteiriço. Seus combatentes mataram ou forçaram a fuga de muçulmanos xiitas, cristãos e outras comunidades que não partilhem as crenças que o grupo radical tem do Islã.

O abuso de mais de 150 crianças configura um crime de guerra, segundo a Humans Right Watch, que citou testemunhos colhidos em entrevistas com quatro garotos que estavam no grupo sequestrado.

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As crianças descreveram serem forçadas a orar cinco vezes ao dia e serem submetidas a intensa doutrinação religiosa, assim como serem forçadas a assistir vídeos do Estado Islâmico em combate e da decaptação de prisioneiros, disse a organização de defesa dos direitos humanos sediada em Nova York.

"Aqueles que não se conformavam com o regime eram espancados. Eles batiam em nós com uma mangueira verde ou um cabo grosso com um fio dentro. Eles também batiam na sola dos nossos pés", disse um dos garotos, segundo a entidade.

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"Eles algumas vezes encontravam desculpas para bater em nós por nenhuma razão... Eles nos fizeram aprender versos do alcorão e bateram naqueles que não conseguiram aprendê-los."

Os garotos disseram não terem recebido nenhum justificativa para o sua libertação, se não de que sua educação religiosa estava concluída. A última criança a ser libertada buscava agora asilo na Turquia, disse o organização humanitária.

Aqueles cujos familiares integravam a milícia curda chama YPG, que tem defendido Kobani, foram destacados para receberem castigos, disseram as crianças.

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Seu algozes, que vieram da Síria, Jordânia, Líbia, Tunísia e Arábia Saudita, "disseram a eles para darem os endereços de seus familiares, primos, tios, afirmando que 'quando formos a Kobani, vamos pegá-los e cortá-los'. Eles consideravam o YPG como infiel", disse um garoto de 15 anos.

Outras crianças e adultos curdos continuam em cativeiro, disse a organização humanitária. Acredita-se também que o Estado Islâmico mantenha até 10 ocidentais como prisioneiros, incluindo jornalistas.

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