Rebeldes pró-Rússia elegem líder no leste da Ucrânia e crise se aprofunda

Por Reuters | - Atualizada às

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Governo ucraniano e Europa criticaram pleito; ex-eletricista de minas foi eleito para presidir República Popular de Donetsk

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Os separatistas pró-Rússia da Ucrânia escolheram um líder para sua república independentista, nesta segunda-feira (3), após uma votação no fim de semana que Kiev e o Ocidente rejeitaram, aprofundando ainda mais o impasse com a Rússia sobre o futuro do ex-Estado soviético.

AP
Alexander Zakharchenk, à esquerda, é cercado por seguranças; segundo as autoridades locais, ele foi o eleito para presidir a República Popular de Donetsk, pró-Rússia, no leste ucraniano

Os organizadores da votação disseram que Alexander Zakharchenko, ex-eletricista de minas de 38 anos, venceu facilmente a eleição para presidir a “República Popular de Donetsk”, entidade autoproclamada pelos rebeldes armados em abril, poucos dias depois de ocuparem edifícios públicos de cidades do leste ucraniano, cuja população em sua maioria fala russo.

A votação, que Kiev diz ter sido incentivada por Moscou, poderia criar um novo “conflito congelado” na Europa pós-soviética e ameaçar ainda mais a unidade territorial da Ucrânia, que perdeu o controle da península da Crimeia em março, quando foi anexada pela Rússia.

Kiev e o Ocidente agora vão esperar para ver se o presidente russo, Vladimir Putin, irá reconhecer formalmente a validade do pleito, apesar de seus pedidos para que não o faça.

Em sua reação inicial, o vice-ministro russo das Relações Exteriores não mencionou nenhuma validação oficial, mas disse que a liderança recém-eleita no leste da Ucrânia recebeu um mandato para negociar com Kiev.

Até agora, os líderes da capital ucraniana se recusaram a tratar diretamente com os separatistas, a quem se referem como “terroristas” e “bandidos”.

Se Moscou reconhecer a votação, também irá restringir as opções do presidente ucraniano, Petro Poroshenko. Ele descartou tentar retomar a região à força depois das perdas em combate em agosto, mas desde a eleição parlamentar de 26 de setembro está sendo apoiado por uma estrutura de poder pró-Ocidente determinada a impedir o desmantelamento da Ucrânia, e pode ser pressionado a adotar uma postura mais firme.

Veja fotos da tensão gerada pela Rússia na Ucrânia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Acordo violado
A primeira manifestação de Putin sobre a eleição do fim de semana pode surgir já nesta terça-feira (4), quando o presidente russo deve comparecer a uma cerimônia na Praça Vermelha em comemoração ao Dia da Unidade Nacional.

“A comissão central da eleição declara Alexander Zakharchenko como líder eleito da República Popular de Donetsk”, afirmou Roman Lyagin, uma autoridade eleitoral, a jornalistas em Donetsk, o bastião dos separatistas. Os números das urnas parecem apontar que ele obteve 79% dos votos.

Kiev e governos ocidentais, inclusive os Estados Unidos, disseram que a eleição violou o acordo firmado em 5 de setembro na capital de Belarus, Minsk, também assinado pela Rússia.

Segundo Kiev, o acordo determina que as eleições sejam realizadas de acordo com as leis ucranianas, que indicariam tão somente autoridades locais. O pleito dos rebeldes para escolher líderes e instituições em um território independentista violou o acordo, afirma o governo central.

Falando no domingo (2), Poroshenko reiterou a visão de Kiev e criticou a votação, que classificou como “uma farsa (conduzida) sob a mira de tanques e metralhadoras”.

O porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel, declarou nesta segunda-feira que a Alemanha acha incompreensível que “vozes russas oficiais” falem em reconhecer a eleição.

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