Heroína ou lenda urbana: jovem guerrilheira curda vira "Anjo de Kobani"

Por BBC | - Atualizada às

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Milhares compartilharam comentários e imagens que supostamente identificam mulher apelidada de Anjo de Kobani

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Nos últimos dias, milhares de pessoas compartilharam comentários sobre "Rehana", bem como imagens supostamente identificando a mulher apelidada de "Anjo de Kobani", nas mídias sociais.

De acordo com relatos, a jovem é uma guerrilheira curda cujas façanhas parecem notáveis mesmo para a reputação dos valente Pershmerga - como são chamados os guerrilheiros curdos. Ela seria responsável pela morte de mais de 100 combatentes do 'Estado Islâmico' na batalha pelo controle da cidade síria.

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

O problema é a escassez de informações não apenas sobre suas atividades, mas sobre sua existência.

Embora o mundo acompanhe o cerco do grupo radical islâmico à cidade na fronteira da Síria com a Turquia, obter imagens e informações mais precisas sobre do conflito é extremamente difícil, especialmente porque Kobani é alvo de bombardeios aéreos da coalizão.

'Batismo' virtual

Neste cenário, rumores tornam-se comuns, em especial os relacionados a feitos heróicos. "Rehana" está nesta categoria.

Poucas histórias soam mais atraentes que as de uma guerrilheira enfrentando os combatentes do EI, cujo histórico de violações aos direitos femininos ganhou notoriedade.

O pouco que se conhece sobre o "Anjo de Kobani" é que ela foi fotografada em 22 de agosto durante uma cerimônia em Kobani celebrando a chegada de voluntários curdos para os combates contra o EI.

Havia um único jornalista internacional presente, o sueco Carl Drott. Drott teve um rápido diálogo com a moça antes do início do evento e apurou que "Rehana" não estava indo para a linha de frente, e sim tinha se voluntariado para a força policial de Kobani.

"Ela me disse que estudava Direito em Aleppo (cidade Síria), mas que decidira se engajar depois de seu pai ter sido morto pelo 'Estado Islâmico'", explicou Drott à BBC.

"Tentei encontrá-la depois da cerimônia, mas não consegui encontrá-la ou mesmo saber seu nome".

Twitter
Pouco se sabe sobre a guerrilheira "Rehana", a começar por seu nome. Tampouco há evidências de que ela esteja na linha de frente

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Ou seja: o "batismo" da guerrilheira ocorreu nas mídias sociais. E vale lembrar que "Rehana" sequer é um nome curdo comum.

Para aumentar a confusão, as histórias que não podem ser confirmadas sobre a matança de radicais islâmicos também incluem outras sobre a "morte" de "Rehana".

No início de outubro, relatos de seu assassinato nas mãos do EI circularam de forma desenfreada pelo Twitter, acompanhados de fotos supostamente mostrando o corpo decapitado da guerrilheira, ao lado da imagem já conhecida de "Rehana" sorrindo para a câmera em seu uniforme militar.

A partir da segunda semana de outubro surgiram as histórias sobre o incrível número de inimigos supostamente mortos por "Rehana". Um comentário no Twitter sobre o assunto teve mais de 5,5 mil compartilhamentos.

Apesar da suspeita de que o tuíte poderia ser propaganda curda, o curioso é que ele surgiu na conta de um usuário indiano.

"Mas ela cativou todo mundo com seus belos olhos e seus cabelos louros. Ela tem um imenso número de fãs", diz a blogueira curda Ruwayda Mustafah.

"Ela simboliza o que todos nós queremos ver: homens e mulheres lutando juntos contra as forças bárbaras do EI".

Real ou não, a história do "Anjo de Kobani" parece estar cumprindo seu papel de inspirar a resistência curda.

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