Protestos em Burkina Fasso matam 30; Exército anuncia governo de transição

Por iG São Paulo |

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Um dos líderes da oposição não informou se esses números se referem a todo o país ou se é apenas da capital, Ouagadougou

Os tumultos de quinta-feira (30) deixaram cerca de 30 mortos e mais de 100 feridos, disse Benewende Sankara, um dos principais líderes da oposição.

Ontem: Ativistas invadem e ateiam fogo no Parlamento de Burkina Fasso

Reuters
Manifestantes anti-governo falam com soldado fora do prédio da TV estatal em Ouagadougou, capital do Burkina Fasso (30/10)

Crise: Burkina Fasso declara estado de emergência após Parlamento pegar fogo

Sankara não informou se o balanço dizia respeito a todo o país ou apenas à capital, Ouagadougou, onde manifestantes saquearam e incendiaram o Parlamento em protesto às ações do presidente. O opositor, que já disputou a chefia de Estado com Compaoré, disse que a saída do presidente do poder "não é negociável".

De acordo com o líder da União para o Renascimento/Movimento Sankarista de Burkina Fasso, a oposição se encontrou quinta com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do país, Nabéré Honoré Traoré, a quem pediu para "seguir o caminho do povo" e "não disparar" sobre ele.

Mas "o chefe do Estado-Maior fez um golpe de Estado", acrescentou Sankara. Por meio de comunicado de Nabéré Honoré Traoré, lido por um oficial em entrevista coletiva, as Forças Armadas de Burkina Faso anunciaram a dissolução do governo e do Parlamento, a instauração de um recolher obrigatório e a criação de um órgão de transição.

Segundo o comunicado, os poderes Executivo e Legislativo, serão assumidos por um órgão de transição, a ser criado "em concertação com todas as forças vivas da nação" e cujo objetivo é o "regresso à ordem constitucional” em um “período de 12 meses".

Um recolher obrigatório é imposto "sobre o conjunto do território entre as 19h e as 6h", para "preservar a segurança das pessoas e bens", disse o texto.

A decisão de Compaoré, de rever a Constituição para prolongar o mandato presidencial, originou os protestos sem precedentes ocorridos nessa quinta-feira em Burkina Faso.

Segundo o chefe do Exército, general Honore Traore, um novo governo vai ser instalado após consulta com todos os partidos políticos e levará o país a uma eleição dentro de 12 meses. Ele também anunciou um toque de recolher durante a noite.

A mudança ocorreu depois que dezenas de milhares de manifestantes encheram as ruas de Ouagadougou nesta quinta-feira para exigir a saída de Compaoré, atacaram o Parlamento, atearam fogo no edifício e saquearam a televisão estatal.

Pelo menos três manifestantes foram mortos a tiros e dezenas de pessoas ficaram feridas quando as forças de segurança abriram fogo contra a multidão.

"Dada a necessidade de preservar o país do caos e preservar a unidade nacional... a Assembleia Nacional está dissolvida, o governo está dissolvido", disse Traore em entrevista coletiva.

No entanto, ele se recusou a dizer se Compaoré, cuja tentativa de estender seu governo de 27 anos provocou meses de tensão no país sem saída para o mar, continuava como chefe de Estado.

A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) afirmou mais cedo nesta quinta-feira que não aceitaria qualquer tomada de poder por meios não-constitucionais, o que sugere pressão diplomática para deixar Compaoré no cargo.

Antes do anúncio dos militares, o presidente emitiu seu próprio comunicado anunciando um estado de emergência a ser executado pelo Exército e pedindo um diálogo com a oposição.

Os protestos foram desencadeados pela tentativa do governo de promover uma mudança constitucional no Parlamento para permitir que o presidente de 63 anos tente a reeleição no ano que vem. Grandes manifestações também aconteceram em Bobo Dioulasso, a segunda maior cidade de Burkina Fasso, e Ouahigouya, no norte do país.

*Com Reuters e Agência Brasil

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