Honore Traore assumiu o poder, como anunciou a rádio estatal hoje; Blaise Compaoré ficou 27 anos no poder do país africano

Um general do exército tomou o poder em Burkina Fasso nesta sexta-feira (31) após o presidente, Blaise Compaoré, renunciar, dando fim a seu governo de 27 anos no país do Oeste africano. O general Honore Traore assumiu o poder, anunciou a rádio estatal.

Mais cedo: Presidente de Burkina Fasso renuncia após 27 anos no poder

Presidente de Burkina Fasso, Blaise Compaoré, fala à imprensa após reunião com o presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu, Paris (arquivo)
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Presidente de Burkina Fasso, Blaise Compaoré, fala à imprensa após reunião com o presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu, Paris (arquivo)

Hoje: Manifestantes em Burkina Fasso exigem renúncia do presidente

Compaoré foi forçado a sair do poder após explosão de protestos violentos em que até o Parlamento foi incendiado. Os manifestantes se recusaram a aceitar qualquer coisa além de demissão imediata do líder.

Ativistas da oposição se reuniram em uma praça e explodiram em aplausos quando ouviram o anúncio da renúncia de Compaoré em rádios portáteis. Eles haviam se concentrado anteriormente para exigir a renúncia do presidente depois de protestar contra o líder concorrer novamente às eleições no país.

Violência: Protestos em Burkina Fasso deixam 30 mortos

"Eu declaro que estou deixando o poder para que o país tenha uma eleição livre e transparente em 90 dias", disse Compaoré em um comunicado lido na televisão e em estações de rádio. "De minha parte, acho que cumpri meu dever."

Compaoré, 63, disse que decidiu deixar o poder "à luz da situação sociopolítica severamente deteriorada e da ameaça de divisão no nosso exército nacional, além do desejo de preservar a paz."

Enquanto isso, Compaoré seguiu em direção a cidade de Po, perto da fronteira com Gana, de acordo com uma autoridade diplomática francesa sob condição de anonimato, citando a sensibilidade da situação. O presidente ainda está em Burkina Fasso e não estava claro se ele estava tentando atravessar a fronteira, disse o funcionário. Até a publicação desta matéria ele não havia pedido ajuda da França, que governou o país no período colonial.

Testemunhas: Ativistas invadem e ateiam fogo no Parlamento de Burkina Fasso

Durante meses uma coalizão vem insistindo para Compaoré não tentar a reeleição para o que teria sido o seu quinto mandato no poder. Mas o então presidente e seu partido pareciam determinados a empurrar projeto de lei no Parlamento na quinta (30) que teria permitido a ele correr novamente.

Foi uma virada dramática de eventos contra um dos mais longos líderes da África que sobreviveu a outras tentativas de derrubada. Compaoré chegou ao poder pela primeira vez após golpe de outubro de 1987 contra o então presidente Thomas Sankara, seu amigo de longa data e aliado político, morto na tomada de poder. Para muitos, o seu legado começa e termina com a morte de Sankara, um estadista bem-visto cuja morte foi amplamente tida como revés para todo o continente.

Mas Compaoré se reinventou muitas vezes ao longo dos anos. Quando jovem, ele serviu ao Exército e era ministro da Justiça quando tropas invadiram Ouagadougou em 1983 e fizeram de Sankara presidente. Depois que ele assumiu o poder em seu próprio golpe, o então presidente passou a ser conhecido como um "incômodo defensor dos conflitos regionais".

Ele abertamente apoiou Charles Taylor, chefe militar da guerra liberiana que se tornou presidente, mas negou envolvimento ativo no conflito do país. Compaoré também foi acusado de apoiar grupos rebeldes na Costa do Marfim e Angola. Mas, mais recentemente, ele remodelou-se como um estadista e intermediou as disputas eleitorais e libertações de reféns em toda a África Ocidental.

Internamente ele manteve rédea curta sobre qualquer oposição e nunca preparou um herdeiro político viável para ocupar seu lugar. Em 2011, ondas de protestos tomaram conta de Burkina Fasso, desafiando o governo de Compaoré enquanto soldados amotinados ocuparam o palácio, forçando o presidente a fugir.

Mas o que teria significado o fim para muitos presidentes foi apenas um problema temporário para o líder e ele fez diversas manobras para permanecer no poder, como a remoção de seus chefes de segurança e a nomeação de si mesmo para ministro da Defesa antes de retornar para Ouagadougou.

*Com AP

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