Burkina Faso declara estado de emergência após Parlamento ser incendiado

Por BBC | - Atualizada às

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Protestos irromperam na capital do país africano na tentativa de impedir reeleição de Blaise Compaore, há 27 anos no poder

BBC

O presidente de Burkina Faso, Blaise Compaore, declarou, nesta quinta-feira (30), estado de emergência para tentar controlar os violentos protestos contra a sua tentativa de se reeleger mesmo após 27 anos no comando do país.

AP
Forças de segurança tentam conter protesto após manifestantes incendiarem Parlamento

"O chefe das Forças Armadas está à frente da implementação do estado de emergência, que passa a vigorar a partir de hoje (quinta)", disse Campaore em um comunicado.

O governo e o Parlamento do país, que fica no Oeste da África, também foram dissolvidos, segundo o documento assinado pelo presidente.

"Dissolvo o governo para criar as condições para mudança. Estou pedindo aos líderes da oposição que deem fim aos protestos. Peço que, a partir de hoje, todos os envolvidos na crise participem de um diálogo para acabar com esta crise."

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Multidões enraivecidas haviam incendiado o Parlamento e outros prédios do governo, forçando parlamentares a abandonar uma votação que permitiria ao presidente buscar sua reeleição em 2015.

Manifestantes se concentraram na principal praça da capital, exigindo que Campaore renunciasse. "O dia 30 de outubro é a 'Primavera Negra' de Burkina Faso", disse uma ativista da oposição, Emile Pargui, à agência de notícias AFP.

Ao menos uma pessoa foi morta nos protestos, segundo o correspondente da BBC Yacouba Ouedraogo. No entanto, o principal líder da oposição, Zephirin Diabre, disse que dezenas de manifestantes foram mortos no país por forças de segurança.

Testemunhas disseram que militares se uniram aos protestos na praça, inclusive o ex-ministro da Defesa, o General Kouame Lougue. Os manifestantes pedem que o general seja declarado o novo presidente, segundo o repórter da BBC.

Reuters
Ativistas contra plano do presidente Blaise Compaoré de mudar constituição, nesta quinta

'Primavera negra'
"Em meio à escalada desta violência bárbara, a oposição política exige, em nome do povo, que o presidente Blaise Campaore renuncie ao cargo", afirmou o general. Militares atiraram contra manifestantes que haviam ocupado o Parlamento para dispersá-los.

Os manifestantes também foram em direção ao palácio presidencial e um helicóptero do governo lançou gás lacrimogêneo contra eles, segundo a agência Reuters. A Prefeitura da capital, as residências de parlamentares e um hotel de luxo em Ouagadougou também foram incendiados.

Ainda houve protestos em Bobo Dioulasso, no Sudoeste do país, e em outras cidades. A TV estatal saiu do ar depois que manifestantes invadiram o prédio da emissora e o saquearam.

O enviado especial da ONU ao Leste da África, Mohamed Ibn Chambas, viajará para Burkina Faso na sexta-feira (31) para tentar atenuar a crise. Este é um dos protestos mais sérios contra o governo de Compaore.

O presidente assumiu o poder em 1987 e ganhou as quatro eleições que disputou desde então. Ele estaria impedido de participar das próximas eleições, de acordo com as leis do país. No entanto, uma emenda constitucional seria votada nesta quinta para acabar com a norma – mas a sessão parlamentar suspensa após os protestos.

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