Presidente da Zâmbia, Michael Sata, morre em hospial de Londres

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Sata morreu no hospital King Edward VII; vice assumirá o poder até as próximas eleições, que devem acontecer em até 90 dias

O presidente da Zâmbia, Michael Sata, apelidado de "Senhor Rei Cobra" por suas declarações afiadas, morreu em um hospital de Londres após lutar contra uma longa doença, de acordo com o governo da Zâmbia nesta quarta-feira (29).

Sata: Candidato da oposição vence eleição presidencial em Zâmbia

AP
Presidente da Zâmbia, Michael Sata, após juramento de posse no tribunal superior de Lusaka, Zâmbia (2011)

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Seu vice, Guy Scott, um zambiano branco de ascendência escocesa, foi nomeado presidente da nação sul-africana até a realização de novas eleições, que devem ocorrer em um prazo de 90 dias.

Scott é o primeiro líder branco de uma nação africana desde F.W. de Klerk, o último presidente da África do Sul sob o apartheid, o regime racista que terminou em 1994. Scott, um ex-ministro da agricultura de 70 anos, diz não ter ambições presidenciais, e nem poderia, já que seus pais não nasceram na Zâmbia, de acordo com analistas.

"Dr. Scott atuará como Presidente da República da Zâmbia até que o país passe por uma pré-eleição presidencial", disse o ministro da Defesa do país, Edgar Lungu, que também é secretário-geral do partido Frente Patriótica, que está no poder.

2008: Zâmbia inicia semana de luto pela morte do presidente do país

"O governo permanece intacto, assim como o Frente Patriótica [partido]", disse Lungu.

Lungu atuou como presidente interino quando Sata viajou para Londres para se submeter a um tratamento médico no início deste mês. Scott foi anteriormente ministro da Agricultura e também trabalhou no ministério das Finanças da Zâmbia.

Sata morreu pouco depois das 23h (horário local) de terça no hospital King Edward VII, em Londres, onde recebia tratamento médico, disse o secretário do gabinete, Roland Msiska, em um comunicado.

A mulher de Sata, Christine Kaseba-Sata, e seu filho, Mulenga Sata, estavam ao lado do líder de 77 anos quando ele morreu, disse Msiska. Mulenga Sata é prefeito da capital zambiana, Lusaka.

"Peço a todos vocês para manter a calma, união e paz durante este período muito difícil", disse Msiska em um apelo aos zambianos.

A Zâmbia já havia declarado luto nesta quarta pelas 26 mortes - três delas de crianças - do dia 24 de outubro, quando um barco superlotado naufragou no Lago Kariba, perto da fronteira com o Zimbabwe. As crianças estavam a caminho de uma cerimônia que marcava o 50º aniversário da independência do país. A Zâmbia era colônia do Reino Unido. Sata não pôde presidir as comemorações nacionais porque estava no hospital de Londres.

O Quênia, África do Sul e outros países enviaram condolências à Zâmbia após o anúncio da morte de Sata. O ministro dos negócios estrangeiros britânico, Philip Hammond, disse que Sata "desempenhou um papel de comando na vida pública de seu país ao longo de três décadas."

Rumores de que Sata estava mortalmente doente tomaram conta da Zâmbia desde que o líder se retirou da vista pública meses atrás, e grupos de oposição haviam questionado se Sata estava apto a liderar um país de 15 milhões de habitantes que tem registrado crescimento econômico robusto, mas sofre com a pobreza generalizada.

Em 19 de setembro, Sata compareceu na abertura do parlamento em Lusaka, zombando de especulações sobre sua saúde debilitada ao dizer que ainda estava vivo. No início deste ano, Sata viajou para Israel em meio a especulações de que ele estivesse à procura de tratamento médico. Em 20 de outubro, na Zâmbia, Sata informou que havia deixado seu país para fazer um "check-up médico no exterior."

Sata teve um relacionamento cheio de altos e baixos com investidores chineses sobre as minas da Zâmbia e outras infra-estruturas, criticando-os por serem exploradores, mas entoando discurso totalmente diferente após tomar posse como presidente.

Alguns críticos dizem que Sata estava cada vez mais intolerante como presidente. Um líder da oposição, Frank Bwalya, foi absolvido este ano das acusações de difamação depois de ter comparado Sata a uma batata local cujo nome é uma gíria para alguém que não sabe escutar.

Sata nasceu em Mpika no que era então a Rodésia do norte e trabalhou como policial e sindicalista sob domínio colonial. Ele também treinou para piloto na Rússia. Após a independência, em 1964, ele se juntou ao Partido Nacional Unido Independente de Kenneth Kaunda, tornando-se governador da cidade de Lusaka e também da província, em 1985.

Ele saiu do partido de Kaunda em 1991 e juntou-se ao recém-formado Movimento pela Democracia Multipartidária, chegando a parlamentar do partido por dez anos, ministro do governo local, do trabalho, segurança social e da saúde.

Em 2001, ele deixou o partido para formar o Frente Patriótica. Em 2008, o político sofreu um derrame e foi para a África do Sul se submeter a tratamento. No mesmo ano, o presidente Levy Mwanawasa morreu na sequência de um acidente vascular cerebral e uma eleição especial realizada mais tarde viu Sata perder por pouco para Rupiah Banda, que havia sido vice-presidente de Mwanawasa.

A mulher de Sata é médica e o casal teve oito filhos. O líder apresentou Christine na abertura do parlamento no mês passado como seu amor eterno.

“Ela tem me feito ficar de pé até agora", ele disse. "Ainda estou vivo".

*Com AP

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