Aprender idiomas nas cadeias da Venezuela pode ajudar no indulto de presos

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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'Vão sair das cadeias pessoas transformadas socialmente', de acordo com ministra de Assuntos Penitenciários da Venezuela

Agência Brasil

A ministra de Assuntos Penitenciários da Venezuela, Iris Varela, anunciou nesta quarta-feira (29) que os cidadãos nacionais e estrangeiros, presos nas cadeias do país e que aprendam quatro idiomas, entre eles o português, vão receber indulto do presidente Nicolás Maduro.

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AP
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, à esq., a ministra da Defesa, Carmen Melendez, centro, e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em cerimônia em Caracas (27/10)

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"Para quem aprender quatro idiomas, vou solicitar ao presidente da República que outorgue um indulto", disse ela.

O anúncio da ministra foi feito durante a visita de uma delegação de advogados do Mercosul ao Internado Judicial El Rodeo 2, uma prisão que recebe apenas estrangeiros.

"Há estrangeiros privados de liberdade que dão aulas de idiomas. Aqui dão aulas de francês, de inglês e português. Há um grupo de detidos estrangeiros, que foram transferidos para outros recintos, no interior do país, que estão ensinando italiano também", disse.

Segundo a ministra, os presos "aprendem idiomas e esperam sair [em liberdade] mais rapidamente".

"Vão sair das nossas cadeias como pessoas transformadas socialmente (…), como novos poliglotas, formados em revolução", destacou.

Iris Varela acrescentou que naquela unidade, os presos estrangeiros frequentam regularmente aulas de espanhol.

Situado no estado de Miranda, a 60 quilômetros a leste de Caracas, El Rodeo 2 foi uma prisão de alta segurança, alvo de uma medida de intervenção administrativa das autoridades venezuelanas em agosto de 2012, que concluiu a transferência dos detidos venezuelanos e estrangeiros para outros recintos penitenciários.

Depois dessa medida, a prisão foi adaptada para receber apenas cidadãos estrangeiros. Em El Rodeo 2 encontra-se também o português João Gouveia, um dos presos mais famosos da Venezuela, que em 2002 disparou contra uma concentração de opositores do presidente Hugo Chávez, na Praça de França, em Altamira, a leste de Caracas.

Os disparos deixaram seis mortos e 26 feridos, entre eles uma mulher que ficou paraplégica. Com 48 anos de idade e natural do Funchal, Madeira, ele foi condenado por um tribunal a 29 anos e 11 meses de prisão.

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