Número de mortos em duas semanas de combates chegou a 170, segundo fontes médicas; sete morreram só nesta terça

Reuters

A guerra entre facções na Líbia está empurrando o país produtor de petróleo para "muito perto de um ponto sem volta", disse o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país, nesta terça-feira (28). Ele justificou que os esforços de cessar-fogo e diálogo político não têm apresentado resultados.

Militantes chegam à capital líbia, Trípoli, ainda em 2012; mortes se acumulam diariamente
AP
Militantes chegam à capital líbia, Trípoli, ainda em 2012; mortes se acumulam diariamente

O número de mortos em duas semanas de combates de rua entre forças pró-governo e grupos armados islâmicos na cidade oriental de Benghazi subiu para 170, segundo fontes médicas. Sete pessoas foram mortas só nesta terça-feira e 15 no dia anterior.

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O país norte-africano tem dois governos e parlamentos desde que um grupo de milícia da cidade ocidental de Misrata tomou em agosto a capital, Trípoli, e criou seu próprio gabinete e assembleia.

O governo internacionalmente reconhecido do primeiro-ministro líbio, Abdullah al-Thinni, teve de se mudar para um local 1.000 quilômetros a leste, onde a eleita Câmara dos Deputados está trabalhando agora, efetivamente dividindo a grande nação desértica.

Depósito de óleo pega fogo enquanto milícias rivais tomam controle da capital do país, em julho
AP
Depósito de óleo pega fogo enquanto milícias rivais tomam controle da capital do país, em julho

No mês passado, o enviado especial da ONU ao país, Bernadino Leon, lançou uma iniciativa para reunir os dois lados para um diálogo e um cessar-fogo. Mas os confrontos pioraram nas duas últimas semanas em Benghazi, bem como no oeste da Líbia.

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"Acho que este país está correndo contra o tempo. O perigo para o país é que, nas últimas semanas, estamos ficando muito perto de um ponto sem volta", Leon disse a repórteres em uma entrevista coletiva televisionada.

Potências ocidentais temem que o produtor de petróleo esteja caminhando para uma guerra civil. As autoridades são fracas demais para controlar os ex-rebeldes que ajudaram a derrubar Muammar Gaddafi em 2011, mas que agora desafiam a autoridade do Estado para tomar o poder e obter parte das receitas do petróleo.

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