Promotoria pediu também a prisão perpétua para membros da tripulação; naufrágio deixou mais de 300 mortos e abalou país

A justiça sul-coreana pediu nesta segunda-feira (27) a pena de morte para o capitão da balsa que naufragou no início deste ano deixando mais de 300 mortos, culpando sua negligência e falha no resgatar dos passageiros pelo elevado número de vítimas, segundo oficial de justiça e noticiários locais.

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lee Joon-seok, capitão do barco sul-coreano Sewol, chega algemado ao Tribunal do Distrito de Gwangju, Coreia do Sul
AP
lee Joon-seok, capitão do barco sul-coreano Sewol, chega algemado ao Tribunal do Distrito de Gwangju, Coreia do Sul


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A promotoria também pediu penas de prisão perpétua para outros três membros da tripulação durante julgamento no Tribunal Distrital de Gwangju, sul da Coreia do Sul, disse um oficial de justiça na condição de anonimato porque não estava autorizado a falar com a imprensa. Ele disse que os promotores pediram penas de até 30 anos para outros 11 membros da tripulação.

Os 15 tripulantes encarregados da navegação estavam entre os primeiros resgatados do navio quando ele começou a afundar. A maioria dos mortos no desastre eram estudantes de um único colégio que estavam a caminho de Incheon, oeste de Seul, rumo a ilha turística de Jeju, no dia 16 de abril.

"O capitão não fez esforços de resgate após pedir que os passageiros permanecessem em suas cabines. Ele não organizou qualquer operação de resgate depois de deixar o navio", segundo a agência de notícias Yonhap. Outros meios de comunicação sul-coreanos também tinham aspas, mas o oficial de justiça disse que não poderia confirmá-las.

O capitão Lee Joon-seok e os três tripulantes foram indiciados em maio sob acusação de homicídio enquanto 11 outros membros da tripulação foram indiciados por acusações menos graves. Funcionários judiciais disseram que o tribunal vai emitir vereditos sobre os 15 membros da tripulação em novembro.

A pena de morte é a sentença máxima na Coreia do Sul, que não executa ninguém desde dezembro de 1997. Os tribunais sul-coreanos, no entanto, ainda ocasionalmente emitem sentenças de morte.

Kook Joung-don, advogado dos familiares das vítimas, disse que elas estavam com "raiva" porque pensaram que a punição solicitada para os membros da tripulação não eram fortes o suficiente. O advogado de Seul Kwon Young-gook disse que estava cético sobre se as autoridades estavam tentando fazer os tripulantes pagarem por seus crimes.

*Com AP

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