Governador mexicano deixa cargo em meio a protesto por desaparecimento de alunos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ángel Aguirre anunciou que deixará o cargo para favorecer a resolução do caso; 43 estudantes sumiram em Iguala há 1 mês

O governador do estado mexicano de Guerrero, Ángel Aguirre, anunciou nesta sexta-feira (24) que deixará o cargo em meio aos protestos pelo desaparecimento de 43 estudantes e das seis mortes que aconteceram há um mês.

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Ulises Ruiz Basurto/EPA/Agência Lusa
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Ángel Aguirre, que governa o Estado com maior índice de homicídios do país, disse que pedirá à Assembléia Estadual que aceite seu pedido de licença, uma forma de renúncia, já que para os cargos eletivos não podem ser formalizada a renúncia.

"Para favorecer um clima político que dê atenção e busque a solução para essas prioridades, no dia de hoje decidi solicitar licença à honorável Assembléia Estadual", disse Aguirre em uma coletiva de imprensa na capital de Guerrero.

A saída de Aguirre do poder era uma das principais exigências dos familiares dos 43 alunos da Escola Normal de Ayotzinapa, que desapareceram em 26 de setembro em Iguala, e de seus colegas, que protagonizaram numerosos protestos para exigiam agilidade nas buscas pelo grupo.

Além disso, o governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), assim como o oposicionista Partido da Ação Nacional (PAN), haviam pedido a renúncia de Aguirre.

Aguirre, de 58 anos, governava o Estado desde 2011 pelo Partido da Revolução Democrática (PRB), de oposição.

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Na quarta-feira (22), manifestantes incendiaram o edifício da Câmara Municipal de Iguala, sul do México, em protesto. Alguns dos manifestantes invadiram o edifício que estava vazio e incendiaram parte das instalações.

O procurador-geral mexicano, Jesús Murillo Karam, disse que o presidente da Câmara, José Luis Abarca, e sua mulher, María de los Ángeles Pineda, foram os autores intelectuais do desaparecimento dos estudantes, há 26 dias.

Eles permanecem com paradeiro desconhecido. Segundo as investigações da polícia federal, agentes policiais de dois municípios locais podem ser os principais responsáveis pelas mortes e pelo desaparecimento dos estudantes. Eles teriam saído de Ayotzinapa, também no estado de Guerrero, para Iguala.

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Karam disse que Abarco deu a ordem de atacar os estudantes para evitar que intervissem num evento do qual participava sua mulher.

O caso dos estudantes, cujo desaparecimento partiu de uma ordem do prefeito de Iguala - a terceira maior cidade do Estado - e sua mulher, considerados os maiores operadores da organização criminosa Guerreros Unidos, explicitou as falhas na estratégia de segurança do governo do presidente Enrique Peña Nieto.

Após a recente detenção do líder do cartel Guerreros Unidos foi possível descobrir que o crime organizado estava infiltrado na Câmara Municipal de Iguala, que recebia do cartel de narcotraficantes entre 2 milhões e 3 milhões de pesos por mês (entre 115 mil e 174 mil euros).

*Com Reuters e Agência Brasil

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