Atirador não tinha ligação com o Estado Islâmico, diz polícia do Canadá

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Comissário da Polícia Real Canadense disse que Zehaf-Bibeau estaria frustrado pela demora na obtenção de seu passaporte

Ele parecia perdido, "não se encaixava", teve problemas com drogas e ficou mais de cinco anos sem ver a mãe. Nas últimas semanas, ele estava morando em um abrigo e tinha falado sobre o desejo de ir para a Líbia - ou Síria - mas ficou agitado quando não pôde obter seu passaporte.

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AP
Policial guarda Memorial Nacional de Guerra em Ottawa, Ontário (23/10)


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Um dia depois de Michael Zehaf-Bibeau lançar um ataque mortal na sede do governo do Canadá, um retrato do canadense de 32 anos começou a surgir, juntamente com uma possível explicação para o que desencadeou o tiroteio.

Bob Paulson, comissário da Polícia Real Canadense, disse que Zehaf-Bibeau - um muçulmano cujo pai era da Líbia - pode ter atacado o local sob frustração pelos atrasos na obtenção de um passaporte.

"Acho que o passaporte figurou com destaque entre os motivos [para os tiros no Parlamento]. Não estou dentro da cabeça dele, mas eu acho que foi fundamental para o desenrolar dos fatos", disse Paulson.

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No que o primeiro-ministro canadense chamou de ataque terrorista, Bibeau atirou e matou um soldado no Memorial de Guerra Nacional do Canadá na quarta-feira e, em seguida, invadiu prédio do Parlamento onde foi morto a tiros por um sargento. Bibeau estava armado com o que a polícia disse ser um rifle Winchester, uma arma antiga.

O ataque foi o segundo contra soldados canadenses em três dias e forçou o país a enfrentar o perigo de ter cidadãos radicalizados - além de expôr os pontos fracos na segurança:

- Durante o ataque, o primeiro-ministro, Stephen Harper, se escondeu em um armário dentro de uma sala do Parlamento. Os policiais designados para protegê-lo estavam do outro lado da porta do local. A partir de agora, disse Paulson, a Polícia guardará o primeiro-ministro a qualquer hora, onde quer que ele vá;

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- Na esteira da tragédia, todos os membros das forças armadas canadenses foram instruídos a evitar o uso de seus uniformes em público ao fazer coisas do tipo compras ou comer em restaurantes;

- No início desta semana, a Polícia Real disse que há cerca de 90 suspeitos de planejar juntar-se aos combatentes extremistas no exterior ou que voltaram de tal atividade. Mas Paulson disse que Zehaf-Bibeau não estava nessa lista e não estava sob vigilância;

- As autoridades estão investigando como o atirador obteve o rifle, quando ele estava proibido de possuir um por causa de sua ficha criminal.

Quanto à aplicação para o passaporte de Zehaf-Bibeau, ele "não foi rejeitado. Seu passaporte não foi revogado", disse Paulson. "Ele estava esperando para obtê-lo e havia uma investigação em curso para determinar se ele receberia o passaporte."

Esse obstáculo parecia pesar sobre Zehalf-Bibeau, um criminoso com uma longa ficha criminal, incluindo uma série de delitos por drogas.

Abubakir Abdelkareem, que muitas vezes visitou Ottawa e estava no mesmo abrigo onde Zehaf-Bibeau se instalou nas últimas semanas, disse que o atirador havia comentado sobre seus problemas com drogas, mas estava limpo há três meses e tentava ficar longe da tentação indo para a Líbia.

Assista: Vídeo mostra tiros dentro do Parlamento em Ottawa, Canadá

Veja vídeo do ataque:

Mas nos três dias antes do tumulto "sua personalidade mudou completamente", disse Abdelkareem. "Ele não conversava mais e não era sociável" além de dormir durante o dia, disse Abdelkareem, que concluiu que o homem estava de volta ao mundo das drogas.

Polícia: Disparos ocorreram em vários locais de Ottawa, Canadá

Lloyd Maxwell, outro morador abrigo, disse que Zehaf-Bibeau viveu por algum tempo em Vancouver, Calgary, e em seguida foi a Ottawa especificamente para tentar obter um passaporte, acreditando que seria mais rápido se os trâmites fossem feitos na capital do país.

Em um e-mail para a AP expressando horror e tristeza pelo que aconteceu, a mãe de Zehaf-Bibeau, Susan Bibeau, disse que seu filho parecia perdido e "não se encaixava" e que ela não o via havia mais de cinco anos, até almoçar com ele na semana passada.

Veja: Homem dispara ao menos 30 tiros no Parlamento do Canadá

"Então, eu tenho muito pouco conhecimento para oferecer", disse ela.

Em uma breve e cheia de lágrimas entrevista por telefone com a AP, Bibeau disse estar chorando pelas vítimas do tiroteio, e não pelo filho.

"Você pode explicar algo assim?", disse Bibeau, que tem casas em Montréal e Ottawa. "Lamentamos o que aconteceu", afirmou.

Enquanto ele estava morando em Vancouver, em 2011, Zehaf-Bibeau foi preso sob a acusação de roubo, mas durante uma avaliação psicológica por ordem judicial, ele disse que cometeu o crime com o único propósito de ficar preso.

Tragédia: Soldado é atingido por tiro perto do Parlamento do Canadá

"Ele quis ficar preso por acreditar que essa seria a única maneira de o mantê-lo longe de seu vício em crack e cocaína”, disse relatório da avaliação. "Ele se dedicou (a religião muçulmana) por sete anos e acredita que deva passar um tempo na cadeia como um sacrifício para pagar por seus erros no passado e espera ser um homem melhor, quando ele finalmente for libertado."

O avaliador disse que Zehaf-Bibeau estava fazendo "uma escolha incomum", mas não pareceu estar mentalmente doente. Ele se declarou culpado de uma acusação menor de fazer ameaças e foi liberado depois de pouco mais de dois meses.

Depois de inicialmente ter relatado a participação de dois ou três atiradores que poderiam ter ajudado no tiroteio, a polícia canadense admitiu, na quinta-feira, que Zehaf-Bibeau era o único atirador.

Agentes da polícia se escondem perto do Parlamento Hilll após tiroteio em Ottawa (22/10). Foto: ReutersSoldado é atingido por tiro perto do Parlamento do Canadá (22/10)
. Foto: APSoldado é atingido por tiro perto do Parlamento do Canadá (22/10)
. Foto: APSoldado é atingido por tiro perto do Parlamento do Canadá (22/10)
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. Foto: APSoldado é atingido por tiro perto do Parlamento do Canadá (22/10). Foto:  APTiros no Parlamento do Canadá (22/10). Foto: APTiros no Parlamento do Canadá (22/10). Foto: APEquipa de intervenção da polícia canadense responde a tiroteio no prédio do Parlamento em Ottawa (22/10). Foto: APTiros no Parlamento do Canadá (22/10). Foto: APTiros no Parlamento do Canadá (22/10). Foto: APTiros no Parlamento do Canadá (22/10). Foto: AP

O derramamento de sangue aumentou os temores de que o Canadá esteja sofrendo represálias - talvez os chamados "ataques do lobo solitário" - por aderir à campanha aérea liderada pelos EUA contra os extremistas Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Na segunda-feira, um homem descrito como "terrorista inspirado pelo EI" atropelou dois soldados em um estacionamento em Quebéc, matando um e ferindo outro antes de ser morto a tiros pela polícia. Antes do ataque, as autoridades canadenses temiam que ele tivesse ambições jihadistas e apreendeu seu passaporte quando tentava viajar para a Turquia.

O primeiro-ministro observou que ambos os ataques foram realizados por cidadãos nascidos no Canadá.

"O fato é que existem sérias ameaças à segurança neste país e, em muitos casos, essas ameaças são graves, grandes e não estão sujeitas a detenção ou prisão", disse Harper.

Elizabeth May, líder do Partido Verde, disse no Parlamento que os ataques desta semana foram, provavelmente, "os atos de homens isolados, perturbados e profundamente problemáticos que foram atraídos para uma 'coisa louca'."

Paulson pareceu concordar, no caso de Zahef-Bibeau, dizendo que sua história de crime, violência, drogas e "instabilidade mental" contribuíram para a sua radicalização. Os registos judiciais indicam que Zehaf-Bibeau teve uma série de condenações por assalto, roubo, drogas e crimes com armas.

Enquanto isso, Kevin Vickers, um sargento do Parlamento de 58 anos creditado como o policial que atirou e matou em Zehaf-Bibeau, foi aplaudido de pé em uma empolgante sessão na Câmara por salvar as vidas dos legisladores. Vickers, vestido com manto cerimonial e carregando um pesado cetro, recebeu os aplausos e acenou solenemente.

O ex-policial real disse em um comunicado que estava "muito emocionado" com a atenção, mas que ele tem estreito apoio de uma equipe de segurança notável.

*Com AP

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