Caso da cristã condenada à forca por blasfêmia no Paquistão vai a suprema corte

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Asia Bibi, que tem cinco filhos, foi acusada de profanar o nome do profeta Maomé durante discussão com um grupo em 2009

Uma cristã sentenciada a morte por blasfêmia no Paquistão planeja levar seu caso a corte mais alta do país após tribunal rejeitar seu apelo na semana passada, de acordo com o advogado da vítima.

2012: Paquistão prende imã que acusou jovem cristã de blasfêmia

Reprodução/Facebook
Tribunal no Paquistão condenou Asia Bibi, uma cristã mãe de cinco filhos, à morte por blasfêmia em 2010


2011: Protesto defende morte por blasfêmia e reúne 50 mil no Paquistão

Asia Bibi, mãe de cinco crianças que vive na província de Punjab, foi acusada de profanar o nome do profeta Maomé durante uma discussão com camponeses muçulmanos em 2009. Os trabalhadores se recusaram a beber um balde de água que ela havia tocado porque ela não era muçulmana.

Em novembro de 2010, um tribunal distrital paquistanês decidiu que Asia era culpada por blasfêmia. O crime é punível com a morte ou prisão perpétua, de acordo com o código penal do Paquistão, e a mulher foi condenado à forca.

"O caso de Asia Bibi é um exemplo de como a lei de blasfêmia do Paquistão explicitamente leva a discriminação, perseguição e assassinato há várias décadas", disse o porta-voz Phelim Kine à CNN.

O advogado da condenada, Naeem Shakir, disse à CNN na segunda que iria apresentar um recurso, uma vez que ele havia recebido uma cópia detalhada do julgamento.

"Eu tenho um caso muito forte, tenho certeza que o Supremo Tribunal irá nos favorecer. Não há nenhuma evidência concreta contra Asia Bibi e os tribunais estão contando apenas com a declaração sobre essas duas mulheres que as acusam", disse Shakir.

Alegações de blasfêmia

Em uma coletiva em 2010, Asia disse que as acusações eram mentiras fabricadas por um grupo de mulheres que não gostavam dela.

"Temos as nossas diferenças e essa é a chance delas de se vingarem”, disse a acusada.

Uma investigação feita por Shahbaz Bhatti, que era então ministro do Paquistão para assuntos das minorias, também considerou que as acusações tiveram origem na inimizade religiosa e pessoal e recomendou a libertação de Asia.

Bhatti era o único membro cristão do Gabinete paquistanês, país cujos 95% dos habitantes são muçulmanos, e se opôs à lei da blasfêmia. Em 2011, ele foi assassinado em Islamabad.

O Taleban paquistanês assumiu a responsabilidade pela morte, dizendo que o assassinato foi "uma mensagem para todos aqueles que são contra as leis de blasfêmia do Paquistão".

Dois meses antes, o governador da província de Punjab, Salman Taseer, também foi morto a tiros por sua própria guarda de segurança por também apoiar Asia e se manifestar contra a lei.

*Com CNN

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