Leopoldo López é acusado de planejar manifestações contrárias ao governo que resultaram na morte de 43 pessoas

Reuters

A maior autoridade em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Zeid Ra'ad al-Hussein, pediu, nesta segunda-feira (20), a libertação do líder oposicionista venezuelano Leopoldo López, assim como de várias outras pessoas que foram detidas durante a repressão a manifestações iniciadas em fevereiro na Venezuela.

Leopoldo Lopez se entregou às autoridades venezuelana e é mantido em prisão domiciliar
AP
Leopoldo Lopez se entregou às autoridades venezuelana e é mantido em prisão domiciliar

Zeid disse em comunicado emitido após uma reunião com a mulher de López, Lilian Tintori, em Genebra, na sexta-feira (17), que a "detenção prolongada e arbitrária" de oponentes políticos e manifestantes servia apenas para piorar as tensões no país.

Um painel de especialistas independentes da ONU afirmou no mês passado que López, líder dos protestos que agitaram o país recentemente, e Daniel Ceballos, um ex-prefeito da cidade fronteiriça de San Cristóbal, foram detidos arbitrariamente, disse ele.

"Eu peço às autoridades venezuelanas que ajam de acordo com as opiniões do Grupo de Trabalho e libertem imediatamente o senhor López e o senhor Ceballos, assim como todos aqueles detidos por exercer seu legítimo direito de se expressar e protestar pacificamente", disse Zeid.

Mais de 3.300 pessoas, incluindo menores, foram detidas por breves períodos entre fevereiro e junho e mais de 150 casos de tratamentos abusivos, incluindo denúncias de tortura, foram relatados, de acordo com informações recebidas pelo gabinete de Zeid.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os protestos, nos quais manifestantes bloqueavam ruas com barricadas e lançavam pedras contra a polícia, faziam parte de um plano para desestabilizar a sua administração.

Veja fotos dos protestos na Venezuela no primeiro semestre:

O governo reconheceu alguns casos de abuso das forças de segurança e prendeu algumas autoridades como consequência, mas Maduro classificou as ações das forças de segurança em geral como "contidas" diante de outros atos de violência.

Zeid expressou preocupação com o fato de que ao menos 69 pessoas continuarem presas devido aos protestos.

"Jornalistas e defensores dos direitos humanos também relataram ameaças, ataques e intimidação", acrescentou ele.

Ex-embaixador da Jordânia na ONU que assumiu o cargo de alto comissário de direitos humanos da ONU em setembro, Zeid pediu ao governo socialista de Maduro que garanta a condução do devido processo legal em todos os julgamentos, em linha com padrões internacionais.

Líder de um movimento de oposição radical, López é acusado de planejar manifestações contrárias ao governo que resultaram na morte de 43 pessoas na Venezuela. Ele se entregou às autoridades em fevereiro e é mantido em uma prisão militar. Seu julgamento começou em julho.

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