Chefe do executivo diz que movimento não é 'doméstico'; para analistas, China pode estar sinalizando para países do ocidente

BBC

O chefe do executivo local de Hong Kong, CY Leung, acusou "forças externas" de envolvimento nos protestos que reivindicam eleições diretas para o governo local.

Hoje: Apesar de diálogo, confrontos se intensificam em Hong Kong

Estudantes acusam CY Leung de obedecer cegamente às ordens de Pequim
AP
Estudantes acusam CY Leung de obedecer cegamente às ordens de Pequim


Ontem: Hong Kong vira campo de batalha entre policiais e ativistas

Em uma entrevista transmitida pela TV neste domingo (19), Leung disse que as manifestações, que há três semanas paralisam partes da ilha, "saíram do controle" até dos organizadores.

Ecoado a linha dos governantes de Pequim, o governador de Hong Kong disse que os protestos "não são um movimento inteiramente doméstico, porque forças externas estão envolvidas".

Mas ele não deu detalhes para substanciar a acusação. Os manifestantes negam qualquer envolvimento externo com os protestos.

"(O movimento) é puramente realizado pelos cidadãos, puramente por aqueles que vivem em Hong Kong", disse à BBC um manifestante, Jeffrey Hui.

"Por aqueles que se preocupam com Hong Kong, que resistem contra o regime", continuou.

Os líderes dos manifestantes, em sua maioria estudantes, e do governo local concordaram em se reunir para negociações – que serão transmitidas pela TV – na terça-feira. Os estudantes acusam CY Leung de não resistir às ordens do Partido Comunista em Pequim.

Soberania

Analistas avaliaram que a China pode estar levantando acusações de intromissão ocidental para desencorajar os governos de outros países de apoiar os manifestantes.

No início deste mês, a Casa Branca emitiu um comunicado pedindo à China que "respeite as aspirações" do povo de Hong Kong.

O governo da Grã-Bretanha – que controlava a ilha até sua devolução à China, em 1998 – também expressou apoio aos manifestantes. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, se disse "muito preocupado" pela situação na ex-colônia e pediu que a China obedecesse ao acordo de devolução, que previa sufrágio universal.

Pequim quer que sua região autônoma possa eleger em 2017 apenas os membros de uma lista aprovada previamente pelo Partido Comunista.

As manifestações já chegaram a reunir dezenas de milhares de pessoas.O número de presentes diminuiu, mas muitos ativistas continuam ocupando as área de Admiralty e o distrito de Mong Kok.

Nos últimos dias, policiais e manifestantes se enfrentarem durante operações policiais para desbloquear vias importantes de Hong Kong ocupadas pelo movimento.

Na noite do sábado, foram registrados novos enfrentamentos entre policiais e estudantes. Pelo menos 20 pessoas teriam ficado feridas.

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