Arábia Saudita sentencia icônico clérigo xiita à morte por protestos

Por iG São Paulo |

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Nimr al-Nimr foi preso em 2012 por apoio a manifestações em massa; promotor diz que o condenaria por 'auxiliar terroristas'

Um juiz saudita sentenciou à morte nesta quarta-feira (15) um clérigo muçulmano xiita cuja prisão, há dois anos, provocou uma onda de protestos que terminou em mortes, segundo explicou o irmão do religioso pelo Twitter.

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AP
Ativista anti-governo exibe foto do clérigo xiita Sheik Nimr al-Nimr no funeral de muçulmanos xiitas supostamente mortos pela polícia na Arábia Saudita (2012)


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O sheik Nimr al-Nimr foi detido em julho de 2012 após apoiar protestos em massa que irromperam em fevereiro de 2011 no distrito de Qatif, leste da Arábia Saudita, que abriga grande parte da minoria xiita em um país controlado pelos sunitas.

De acordo com o irmão de al-Nimr, Mohammed al-Nimr, disse à Associated Press no início desta quarta, ele estaria no tribunal para ouvir o veredito, mas não pôde ser contatato novamente para comentar o assunto.

O ativista xiita Jaafar al-Shayeb, no leste da Arábia Saudita, disse que o veredito parece ter sido transmitido por infrações penais sobre a "incitação" de protestos xiitas na Arábia Saudita e no vizinho Bahrein.

Ele diz que há preocupação de que a sentença de morte do reverenciado clérigo de 54 anos desencadeie raiva e novos protestos por minorias xiitas do país.

No ano passado, um promotor disse que buscava condenar Nimr por "auxiliar terroristas" e "travar uma guerra sobre Deus", o que acarretaria pena de morte. O ex-ministro do Interior, o príncipe Ahmed, anteriormente o havia acusado de ser "mentalmente desequilibrado".

Sua captura, durante a qual ele foi baleado pela polícia, provocou diversos dias de protestos nos quais três pessoas foram mortas. As manifestações continuam esporadicamente em Qatif, onde mais de 20 morreram por causa da violência desde 2011.

*Com AP e Reuters

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