Oficiais usaram marretas e serras elétricas perto de repartições governamentais; não houve qualquer confronto com ativistas

Centenas de policiais de Hong Kong usaram marretas e serras elétricas nesta terça-feira para desmontar barricadas do movimento pró-democracia perto de repartições do governo e de áreas do centro financeiro, desimpedindo uma das principais ruas da cidade pela primeira vez desde o início dos protestos, há duas semanas.

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Agentes da polícia removem barricadas criadas por manifestantes para bloquear estradas no distrito central de Hong Kong
AP
Agentes da polícia removem barricadas criadas por manifestantes para bloquear estradas no distrito central de Hong Kong


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Em um revés para os manifestantes, o trânsito voltou a fluir livremente pela via Queensway após a retirada das barricadas e acampamentos. Mas outros locais de concentração de protestos permaneceram intactos nos bairros de Admiralty e Mong Kok, numa demonstração de resistência dos manifestantes pró-democracia.

"Vamos reconstruí-las depois que a polícias as retirar", disse o manifestante Bruce Sze. "Não vamos confrontar a polícia fisicamente."

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Diferentemente de segunda-feira, quando embates entre grupos contrários aos protestos e ativistas pró-democracia irromperam após a retirada de barricadas pela polícia, a operação desta terça-feira (14) não resultou em confrontos.

No entanto, as tensões devem esquentar na quarta-feira, quando motoristas de táxi, que alegam uma perda de cerca de 50% em suas corridas, ameaçaram remover as barricadas caso os manifestantes não as tenham retirado até então. Motoristas de caminhões também fizeram ameaças semelhantes.

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Taxistas e caminhoneiros estão entre aqueles que tentaram desmontar as barricadas na segunda, quando centenas de pessoas, algumas usando máscaras cirúrgicas e carregando pés-de-cabra e ferramentas de corte, destruíram barricadas e entraram em confronto com manifestantes.

"A reabertura (da Queensway) é melhor do que nada, já que permite mais opções aos motoristas. Mas ainda não é bom o bastante e o trânsito vai continuar muito pesado", disse o taxista Li Hung-on, de 53 anos.

Os manifestantes, a maioria estudantes, demandam uma democracia plena para a antiga colônia britânica, mas o impasse de duas semanas imposto por eles tem causado caos no trânsito e alimentado certa frustração no centro financeiro, esvaziando assim parte do apoio da população.

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"Fora de controle"

Chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying disse no domingo (12) em entrevista à cadeia TVB que o movimento Occupy estaria "fora de controle" e afastou qualquer possibilidade de diálogo. Chun-ying, também conhecido por CY Leung, destacou, contudo, que o movimento não deve ser considerado uma "revolução".

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O líder da administração chinesa observou que os protestos não podem continuar por muito tempo.

"Os últimos fatos mostram que ninguém pode indicar em que direção o movimento vai seguir", disse o governante.

CY Leung acrescentou que o governo tem a "responsabilidade de fazer cumprir a lei", mas destacou que o movimento "é muito especial", razão pela qual tanto o Executivo quanto a autoridade policial "continuam a administrar o incidente com tolerância máxima".

Nesse sentido, o governo vai continuar tentando convencer os manifestantes a deixar as ruas do centro de Hong Kong e, se tiver necessidade de intervir, irá fazê-lo recorrendo aos meios mínimos necessários.

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Leung afirmou ainda que a possibilidade de negociação com os ativistas é "zero". Na quinta-feira (9), a secretária-chefe Carrie Lam cancelou reunião com os diversos movimentos, argumentando que eles não podiam sentar-se à mesa e pedir maior participação popular nas ruas.

"O diálogo não pode ser utilizado como uma desculpa para incitar mais pessoas a juntarem-se aos protestos", declarou Carrie Lam quando anunciava aos jornalistas a ruptura das conversações.

Entre as causas das manifestações de Hong Kong está a decisão de conceder à população da antiga colônia britânica a possibilidade de, em 2017, eleger o líder de governo, em um processo que estará limitado à escolha prévia dos candidatos por um comitê eleitoral controlado por Pequim.

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Os manifestantes não aceitam a posição política de Pequim e querem escolher livremente o líder, sem entraves nem escolhas prévias dos candidatos.

Na entrevista, CY Leung garantiu que não pedirá demissão e lembrou que sua resignação também não iria resolver qualquer questão, porque a decisão sobre o futuro político de Hong Kong – tal como ocorre em Macau – cabe ao Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular.

*Com Reuters e Agência Brasil

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