De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, correspondentes foram mortos entre sexta e segunda-feira

BBC

Dois jornalistas foram mortos pelo grupo que se autodenomina Estado Islâmico nos últimos quatro dias, segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras.

Veja fotos da guerra contra o Estado Islâmico no Oriente Médio:

Mohanad al-Akidi, correspondente da agência de notícias Sada na cidade iraquiana de Mosul – território no norte do país dominado pelo EI – foi assassinado com um tiro na base de Ghazlani, na segunda-feira (13). O jornalista foi raptado pelo grupo extremista ainda em julho, quando tentava viajar para a província de Dohuk.

Na sexta (10), Raad Mohamed al-Azzawi, que trabalhava como câmera da TV Sama Salah Aldeen, foi decapitado por militantes do Estado Islâmico na cidade de Samarra. Ele também havia sido raptado pelo grupo há cerca de um mês.

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A ONG Repórteres Sem Fronteiras – que promove e defende a liberdade da imprensa mundial – afirmou estar "horrorizada pelos constantes crimes de violência do grupo jihadista".

"O Estado Islâmico está seguindo uma política de violência indiscriminada que não mostra piedade para com os jornalistas e não hesita em raptar, torturar e assassinar", disse a diretora da ONG, Lucie Morillon. "As equipes de imprensa precisam mais do que nunca de apoio e proteção das autoridades locais."

Diretrizes de mídia
A maioria dos jornalistas estrangeiros já fugiu dos grandes territórios de Iraque e Síria que foram controlados pelo Estado Islâmico por medo de virarem alvo de ataques ou sequestros. Apenas repórteres locais ficaram nesses lugares para registrar os acontecimentos.

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O grupo radical decapitou os jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff nos últimos dois meses e mantém o repórter britânico John Cantlie, já usado em diversos vídeos com ameaças, como refém.

No início do mês, o EI divulgou diretrizes a serem seguidas por jornalistas que estão trabalhando na província síria de Deir al-Zour. A orientação do grupo extremista incluía um pedido para os jornalistas jurarem fidelidade ao Estado Islâmico, submeter matérias para aprovação dos militantes e informar o grupo a respeito de quaisquer contas nas redes sociais. Qualquer um que violasse as diretrizes seria "responsabilizado por isso".

Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, Raad Mohamed al-Azzawi foi ameaçado de morte pelo Estado Islâmico em setembro, após ter se recusado a trabalhar para o grupo.

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