Ativistas queimam prédio do governo em protesto por desaparecidos no México

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Em setembro, 43 jovens foram sequestrados possivelmente por policiais ligados a cartel de drogas em Guerrero, no sul do país

Centenas de estudantes e professores quebraram vidros e colocaram fogo em prédio de cidade ao sul do México em protesto pelo desaparecimento de 43 jovens que podem ter sido sequestrados por policiais ligados a cartel de drogas.

Dia 9: Dezenas de milhares protestam no México após desaparecimento de alunos

AP
Carro capota e é incendiado por estudantes universitários em protesto pelo desaparecimento de alunos do lado de fora de edifício em Guerrero, México (13/10)


Dia 5: Investigadores mexicanos acham vala com corpos que podem ser de alunos

Os manifestantes exigem que os 43 alunos de uma universidade do estado de Guerrero, desaparecidos desde o dia 26 de setembro, sejam devolvidos vivos, apesar dos temores de que as dez valas comuns descobertas recentemente podem conter os corpos dos sequestrados.

Fotos da AP mostram a fumaça que saía de um prédio do governo em Chilpancingo, capital de Guerrero, e as chamas que lambiam as janelas do escritório. Os bombeiros combateram o incêndio.

Governo: México captura líder do narcotráfico Héctor Beltrán

Jose Villanueva Manzanarez, porta-voz do governo de Guerrero, disse que os ativistas são membros de um sindicato de professores que inicialmente tentaram entrar no congresso estadual em Chilpancingo, mas foram repelidos pela polícia anti-motim. Eles, então, se dirigiram ao palácio do governo do estado.

Com o apoio de centenas de estudantes de faculdade os professores Ayotzinapa, os docentes bloquearam o prédio da capital, atacando-o com barras, pedras e coquetéis molotov, disse ele.

Entenda: Saiba mais sobre os cartéis de drogas do México

A violência começou há mais de duas semanas depois que a polícia em Iguala, também no estado de Guerrero, abriu fogo contra os estudantes universitários e matou ao menos seis. Testemunhas disseram que dezenas de estudantes foram levados pela polícia e não foram mais vistos desde então. Foram detidos 26 agentes da polícia e as autoridades estão tentando determinar se algum dos alunos está nas valas comuns encontradas nas proximidades.

O confronto em Iguala evidencia um problema generalizado com a polícia local mexicana: sua ligação com o crime organizado. No caso de Iguala, a polícia que atacou os alunos estaria trabalhando com o cartel local, Guerreros Unidos, de acordo com o depoimento de presos.

Setembro: México busca 58 estudantes desaparecidos após confronto com a polícia

Protestos que aconteceram durante toda a segunda-feira vieram após a polícia de Guerrero disparar e ferir um estudante universitário alemão em um caso de confusão de identidade, segundo os promotores. A vítima, Kim Fritz Kaiser, é um estudante de intercâmbio do Instituto Tecnológico de Monterrey campus Cidade do México, disse o diretor do Instituto Pedro Grassa.

Ele explicou à televisão Milenio na segunda que Kaiser está em boas condições e que a lesão não foi grave, embora Kaiser deva permanecer sob observação. O universitário estava em uma van com outros estudantes - outro alemão, dois franceses e seis mexicanos – em uma viagem de volta de Acapulco e passando por Chilpancingo depois de um confronto entre a polícia e sequestradores que deixou um policial morto.

A polícia tentou parar a van, acreditando que o veículo era suspeito. Segundo a polícia, eles abriram fogo quando ouviram algo que soou como um tiro ou explosão, disse Victor Leon Maldonado, do escritório do procurador do Estado de Guerrero. Os alunos continuaram dirigindo, temendo que homens armados poderiam estar tentando raptá-los, disse o procurador da República Inaky Blanco.

Maldonado afirmou aos repórteres em uma coletiva que os policias atiraram na parte inferior da van, tentando acertar os pneus para fazê-la parar. Kaiser foi baleado nas nádegas. Os policiais envolvidos foram detidos e suas armas estão sendo verificadas, de acordo com um comunicado do gabinete do procurador-geral do Estado.

Um alerta de viagem Departamento de Estado americano divulgado na semana passada pedia aos cidadãos americanos que evitassem Chilpancingo e todas as áreas do estado de Guerrero fora dos resorts do Pacífico de Acapulco, Ixtapa e atrações turísticas de Taxco e as cavernas Cacahuamilpa.

Um aviso anterior emitido em janeiro já desaconselhava viagens para a região noroeste do estado, perto da fronteira com o Estado do México, onde Iguala está localizada.

*Com AP

Leia tudo sobre: protestos méxicomexicoguerreroacapulcoestado do mexicoeuachilpancingo

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas