Adesão de garotas ocidentais à causa do Estado Islâmico preocupa a Europa

Por Reuters |

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Muitas são atraídas pela promessa de trabalho humanitário na Síria; jovem de 15 anos foi localizada, mas se recusou a voltar

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Foad, um caminhoneiro francês de origem marroquina, viajou sozinho para a Síria para resgatar sua irmã de 15 anos de um grupo islâmico que, segundo ela, a mantinha como prisioneira. Mas, quando finalmente ficou frente a frente com a irmã, ela não quis ir embora.

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Foad, irmão de Nora, de 15 anos de idade, conta que ela deixou sua casa em Avignon, França, para viver na Síria há nove meses (6/10)


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Ele está convencido de que sua irmã Nora, que ele descreveu como uma adolescente impressionável que amava filmes da Disney antes de ir para a Síria em uma tarde de janeiro, ficou por lá porque foi ameaçada de morte pelo comandante, ou emir, do grupo ao qual ela se uniu.

A ex-estudante colegial está entre as dezenas de garotas europeias, muitas delas da mesma idade, que vivem com grupos na Síria. É um aspecto do conflito que está começando a preocupar governos europeus, anteriormente mais focados no fluxo de homens jovens que adentravam as tropas do Estado Islâmico e de outros grupos.

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Muitas das garotas mais jovens são atraídas com promessas de trabalho humanitário. Já na Síria, elas descobrem seu destino: casamento forçado com um combatente, estrita aderência à lei Islâmica, uma vida sob vigilância e pouca esperança de retornar para casa, de acordo com pais, parentes e especialistas em radicalização.

"Quando ela me viu entrar naquela sala, ela não podia parar de chorar e me segurar. Em um momento, eu disse 'Então, você vai voltar comigo'", disse Foad, de 37 anos, à Reuters. "Ela começou a bater a cabeça na parede dizendo, 'eu não posso, eu não posso, eu não posso'".

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O francês, que pediu para que seu nome completo não fosse divulgado para proteger sua família na França, disse que Nora o havia informado que o primeiro local em que ela esteve foi Aleppo. Ele não quis divulgar o local do segundo encontro, seguindo orientações da polícia francesa, para não revelar detalhes relevantes à investigação.

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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Foad disse que uma conversa que ele ouviu entre sua irmão e o emir sugeriram que ela fora alertada a ficar. Nora havia repetidamente pedido à família, por telefone, para ser resgatada das mãos dos militantes, os quais chamou de "hipócritas" e "mentirosos".

Enquanto governos ocidentais têm se concentrado em milhares de voluntários jihadistas homens que foram para a Síria e para o Iraque, autoridades da área de segurança na Europa têm expressado alarme sobre um pequeno, mas estável, fluxo de grupos femininos para os mesmo lugares.

Compondo até 10 por cento de todas as partidas para as áreas controladas elos islamitas radicais, de acordo com autoridades do governo e especialistas em terrorismo, as jovens são vistas como prêmios por combatentes ávidos para se casar.

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Ocidentais adolescentes são frequentemente observadas por recrutadoras mais velhas, muitas dos quais ficam na Europa e usam mídias sociais, telefonemas e falsas amizades para convencê-las a fazer trabalho humanitário em regiões devastadas pela guerra. Outras precisam de menos convencimento, ansiosas por participar no que acreditam ser uma jihad, ou guerra sagrada.

Embora as mulheres não lutem - mesmo que algumas formem unidades policiais - suas casas são próximas de zonas de combate e expostas a bombardeios da aviões da coalizão montada para combater o Estado Islâmico. Mulheres têm poucas esperanças de escapar caso tenham algum arrependimento. Foad disse que todo o contato com a irmã foi cortado desde a visita em maio.

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"Das jovens que acompanhamos, nenhuma voltou viva para casa", disse Dounia Bouzar, uma antropóloga francesa encarregada de uma missão para desradicalizar candidatas para a jihad.

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