Refugiados lutam pela vida ao deixar cidade alvo do Estado Islâmico na Síria

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Três semanas de confrontos pelo controle de Kobane, fronteira com a Turquia, já deixaram pelo menos 400 mortos na região

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Três semanas de confrontos pelo controle da cidade síria-curda de Kobane, na fronteira com a Turquia, já deixaram ao menos 400 mortos. Mais de 160 mil sírios cruzaram a fronteira com o país vizinho para fugir do conflito.

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Forças curdas teriam lançado uma operação contra o grupo auto-denominado Estado Islâmico (EI), após a maior ofensiva aérea da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra alvos dos militantes.

Não está claro qual lado da batalha está em vantagem. O Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado na Grã-Bretanha, disse que militantes do "EI" se retiraram de várias partes de Kobane e que teriam abandonado a região oeste da cidade.

Até agora, a cidade havia sido tomada pelos extremistas em três frentes - ao sul, sudeste e sudoeste.

Correspondentes disseram que o avanço do "EI" parece ter sido contido após o aumento dos ataques dos EUA e seus aliados árabes. Mas combatentes curdos seguem sob intensa pressão.

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Do outro lado da fronteira, milhares buscam refúgio. Na cidade de Suruc, é possível ver a fumaça preta sobre Kobane, enquanto os confrontos se intensificam, a apenas alguns quilômetros de distância.

Crianças com mochilas nas costas fazem fila para serem registradas. Um homem carrega pássaros amarelos em duas gaiolas - um sinal de que as prioridades são diferentes na decisão sobre o que levar.

Cada um tem uma história. Um homem perdeu sua perna em uma mina terrestre na fronteira. Antes uma área arável, a região foi transformada num campo minado por autoridades turcas nos anos 1950 para coibir contrabando.

Uma senhora em um vestido roxo, provavelmente em seus 70 anos, diz sentir falta de sua casa e que gostaria de morrer lá. Ela aponta para algumas pedras sob seus pés.

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"Durmo aqui, assim como essas pedras. Mas quero morrer no conforto da minha cama", disse.

'Massacre'

No principal hospital em Urfa, uma combatente síria-curda de 19 anos diz ter sido baleada por um militante do "EI" numa vala nos arredores de Kobane.

Ela parecia não se comover ao contar sua história, e seus olhos só brilharam ao ser perguntada sobre seu vilarejo.

Perto da fronteira, Amira levava três crianças. Sentada em uma pedra, ela se recusava a sair até que fosse seguro retornar para casa. O menino mais novo chorava silenciosamente.

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Alguns dos refugiados curdos e residentes disseram que a coalizão liderada pelos EUA contra o "EI" lhes deu esperança.

Mas outros se recusavam a acreditar que ataques estariam sendo realizados. Muitos continuavam a cruzar a fronteira de volta para Kobane.

O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria, Staffan de Mistura, alertou a comunidade internacional para agir e evitar que o grupo assuma o controle da cidade. Segundo ele, a queda de Kobane seria um "massacre e uma tragédia humanitária".

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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Se tomarem a cidade, militantes do Estado Islâmico terão controle de um longo território da fronteira síria-turca, que tem sido a rota preferencial para combatentes estrangeiros entrarem na Síria e é usada para o grupo transportar petróleo das refinarias que capturou.

A Turquia está sob pressão para fazer mais para ajudar as forças curdas que lutam em Kobane. Ao menos 12 pessoas morreram em protestos de curdos na Turquia, que exigiam maior apoio militar de Ancara.

Relações complicadas

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse na terça-feira que somente ataques aéreos não seriam o suficiente para derrotar o "EI" e que "o terror não terminará" se não houver uma cooperação para uma operação terrestre. Mas ele não deu detalhes.

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A Turquia insiste na imposição de uma zona de segurança na região de fronteira com a Síria, uma aérea de exclusão aérea e a redução no fluxo de refugiados para o país.

Analistas dizem que dificilmente estas demandas serão atendidas, já que exigiria o uso de aviões de guerra para desarmar o sistema de defesa aéreo do governo sírio.

Na semana passada, o Parlamento turco autorizou uma ação militar contra os militantes no Iraque e na Síria mas, até agora, nenhuma ação foi tomada.

Uma importante autoridade dos EUA disse ao jornal The New York Times haver uma "angústia crescente sobre a Turquia estar se arrastando para agir para evitar um massacre a menos de uma milha de sua fronteira".

A situação entre a Turquia e os curdos é complicada. Eles vivem espalhados pela região, em partes da Turquia, Iraque, Síria e Irã, mas a maioria deles está no sudeste da Turquia, onde há décadas eles lutam por um país independente.

Milhares morreram em confrontos contra o governo turco e um cessar-fogo só foi anunciado em 2013.

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