Militantes rebeldes lançaram novo ataque a Kobani, cidade na fronteira com a Turquia de onde fugiram milhares de curdos

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Combatentes do Estado Islâmico lançaram um novo ataque à cidade síria de Kobani na noite desta quarta-feira (8). Ao mesmo tempo, do outro lado da fronteira, na Turquia, ao menos 21 pessoas foram mortas em protestos contra a falta de ações do governo para proteger os cidadãos do grupo étnico no país vizinho.

Manifestantes a favor da etnia curda fazem protesto nas ruas de Atenas, na Grécia, nesta quarta
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Manifestantes a favor da etnia curda fazem protesto nas ruas de Atenas, na Grécia, nesta quarta

Defensores da região disseram que os militantes do Estado Islâmico avançaram em direção a dois bairros da cidade fronteiriça de maioria curda, apesar dos ataques aéreos liderados pelos EUA – que o Pentágono reconheceu serem insuficientes para proteger a cidade.

Na Turquia, combates de rua foram travados entre manifestantes curdos e policiais em todo o sudeste de maioria curda, em Istambul e em Ancara. O rescaldo dos combates na Síria e no Iraque ameaça o próprio processo de paz já delicado do país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com os curdos. A violência nas ruas foi a pior dos últimos anos no país.

Washington afirmou que seus aviões de guerra, assim como aqueles dos Emirados Árabes Unidos, aliados da coalizão, atacaram nove alvos na Síria, incluindo seis perto de Kobani que atingiram veículos armados e artilharia do Estado Islâmico, além de posições do grupo no Iraque cinco vezes.

Entretanto, Kobani continuou sob intenso bombardeio de plataformas do Estado Islâmico, ao alcance dos tanques turcos que até agora nada fizeram para ajudar.

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"Hoje (quarta) à noite, (o Estado Islâmico) entrou em dois distritos com armas pesadas, incluindo tanques. Civis devem ter morrido porque há combates muito intensos", disse Asya Abdullah, copresidente do Partido União Democrática, o principal grupo curdo sírio que defende a região, à Reuters na cidade.

Autoridades dos EUA foram citadas expressando impaciência com os turcos por sua recusa em se unir à coalizão contra os combatentes do Estado Islâmico, que ocuparam vastas áreas da Síria e do Iraque.

A Turquia diz que pode participar, mas somente se Washington concordar em usar a força contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, e os jihadistas sunitas que o combatem na guerra civil de três anos do país.

Os curdos da Turquia, que são maioria no sudeste, dizem que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, está ganhando tempo enquanto seus irmãos são mortos em Kobani.

A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, que incendiaram carros e pneus, e as autoridades impuseram toques de recolher em pelo menos cinco províncias, a primeira vez que tais medidas foram amplamente usadas desde o início dos anos 1990.

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Confrontos
O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, declarou a repórteres em Ancara que 19 pessoas foram mortas e 145 ficaram feridas nos distúrbios em todo o país, mas prometeu que o processo de paz com os separatistas curdos não será arruinado pelo "vandalismo". Mais tarde, a agência de notícias Dogan relatou que o saldo de mortos subiu para 21.

Ao menos 10 pessoas morreram nos confrontos em Diyarbakir, a maior cidade curda no sudeste turco, de acordo com o ministro da Agricultura, Mehdi Eker, que afirmou que um toque de recolher de um dia imposto no local a partir da noite de terça-feira seria revisto nesta quarta-feira.

Alguns manifestantes que desafiavam o toque de recolher entraram em choque com as forças de segurança na área no fim desta quarta-feira pelo horário turco, segundo relatou a mídia local.

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Outros morreram em confrontos entre manifestantes e policiais nas províncias de Mus, Siirt e Batman, também no sudeste. Trinta pessoas se feriram, incluindo oito policiais, em Istambul.

Os combatentes do Estado Islâmico que sitiam Kobani hastearam sua bandeira negra no lado leste da cidade na segunda-feira. Desde então, os ataques aéreos liderados pelos norte-americanos na área redobraram, e os defensores da cidade afirmaram que os insurgentes foram repelidos.

O Parlamento da Turquia autorizou na semana passada uma intervenção transfronteiriça, mas Erdogan e seu gabinete se contiveram até o momento, dizendo que irão aderir a uma ação militar conjunta apenas como parte de uma aliança que também combata Assad.

O presidente quer que a aliança estabeleça uma “zona de exclusão aérea” para impedir que a força aérea de Assad voe perto da fronteira turca e criar uma área segura para que os estimados 1,2 milhão de refugiados sírios na Turquia voltem para casa.

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