Confrontos entre civis e a polícia deixam cinco mortos na Venezuela

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Operação policial no edifício onde funciona o Coletivo Escudo da Revolução deu início a violência; antigo sargento foi morto

Agência Brasil

Pelo menos cinco morreram e cerca de 12 foram presos durante confrontos no centro da capital venezuelana entre um grupo de civis armados e a polícia.

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Ativista pró Leopoldo Lopez se junta a manifestantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para pedir sua liberdade em Caracas (26/09)

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Os confrontos ocorreram na terça-feira (7) na sequência de uma operação policial no Edifício Manfredir de Quinta Crespo, onde funciona o Coletivo Escudo da Revolução. A operação deixou dois mortos, entre eles José Odremán, um antigo sargento da extinta Polícia Metropolitana e líder do grupo de civis armados.

Em seguida, várias pessoas conseguiram subjugar três funcionários do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (antiga Polícia Técnica Judiciária), levando-os à força para dentro do edifício. Policiais tentaram a libertação dos colegas, o que provocou novos confrontos onde mais três morreram.

De acordo com a Agência Lusa, a situação "estave tensa" no centro da cidade e em vários momentos foram ouvidas rajadas de tiros. Segundo a imprensa venezuelana, o líder do coletivo era procurado pelas autoridades por homicídio e, durante a operação, foram apreendidas várias armas de fogo.

Diálogo

A oposição venezuelana pediu no final de setembro à União de Nações Sul-Americanas, Unasul, que retome os esforços para reativar o diálogo entre o governo e a coligação opositora Mesa de Unidade Democrática.

O pedido foi feito em carta dirigida ao novo secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, entregue na Embaixada da Colômbia em Caracas por Roberto Enríquez, presidente do Partido Social Cristão.

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

"Não queremos mais sofrimento para o nosso povo e estamos convencidos de que o diálogo é o caminho para a paz e a prosperidade. Solicitamos formalmente que processe esse pedido, cuja cópia estamos enviando à OEA [Organização dos Estados Americanos] e à ONU [Organização das Nações Unidas]", diz o documento.

Segundo Enríquez, a oposição não quer repetir "o mesmo modelo de diálogo falido e hipócrita que a Venezuela viu" em abril último e a Unasul deve atuar porque o país "caminha para uma catástrofe social" na sequência de problemas como "a escassez [de bens] e inflação.

Ele lembrou que o governo venezuelano concedeu, por questões de saúde, o "benefício" de prisão domiciliar ao ex-comissário e antigo secretário de Segurança Cidadã de Caracas, Iván Simonovis, condenado a 30 anos de prisão por envolvimento no golpe de Estado de abril de 2002.

Para a oposição, a medida foi interpretada como um "sinal" para dialogar, apesar de defender a “necessidade de uma lei de anistia para os companheiros de luta que continuam presos".

Em 10 de abril, o governo e a oposição decidiram iniciar um processo de diálogo, tendo como "mediadores" o Vaticano, o Brasil, o Equador e a Colômbia, os três últimos em nome da Unasul.

Em 13 de maio, a oposição suspendeu a participação nas "mesas de trabalho" em protesto pela "repressão brutal" das forças de segurança contra as manifestações pacíficas da oposição e por considerar que o diálogo não estava dando resultado.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, atribuiu a suspensão a "grandes pressões", destacando com positivos o “simples diálogo e o debate".

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