Mianmar perdoa e liberta 3.073 presos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Advogados dizem que presos políticos não compõem o grupo, apesar de promessa do presidente para libertar todos este ano

Mianmar perdoou 3.073 prisioneiros nesta terça-feira (7), mas grupos de advogados disseram que presos políticos não fazem parte do grupo, apesar da promessa do presidente de libertar todos esses detidos por esse crime até o fim deste ano.

2013: Antes de encontro regional, Mianmar liberta 56 presos políticos e rebeldes

AP
Ex-prisioneiros de Mianmar caminham até a entrada da prisão após serem libertados


Comitê: Mianmar liberta dezenas de presos políticos, diz órgão governamental

A anistia foi anunciada no site do Ministério da Informação. Mensagem dizia que os prisioneiros estavam sendo libertados "por razões humanitárias". O texto, porém, não mencionou presos políticos. A maioria dos libertados havia cometido crimes considerados leves, mas ao menos oito eram ex-oficiais de inteligência presos há uma década como parte de expurgo político.

O aviso foi divulgado um mês antes de uma cúpula de líderes vindos da Ásia e do Pacífico se resulir em Mianmar.

Ye Aung, ex-Preso Político e membro do Comitê de Presos Políticos disse que inicialmente 13 seriam libertados, mas depois disse que essa informação estava incorreta.

"De acordo com a lista que nos foi fornecida, não há presos políticos entre os libertados hoje", disse ele. Aung explicou que 58 dos presos libertados nesta terça eram estrangeiros, mas não deu mais detalhes sobre eles.

Bo Kyi, da Associação de Assistência Independente para Presos Políticos, também afirmou não ter ouvido falar em quaisquer presos políticos liberados.

"A maioria é criminoso. Dissemos anteriormente que, se o governo libertasse criminosos, aumentaria os crime e deveriam ser tomadas providências para impedir isso", explicou ele.

De acordo com a associação, havia 80 ativistas políticos detidos em Mianmar no final de setembro enquanto outros 130 estavam aguardavam julgamento por ações políticas.

O presidente Thein Sein, um ex-general eleito em 2011 após cinco décadas de regime militar, se comprometeu a libertar todos os criminosos políticos até o final do ano. Ele libertou mais de 1 mil presos políticos desde que tomou posse, mas os críticos dizem que as prisões por crimes políticos continuam a acontecer sob o seu governo.

Aqueles libertados na segunda-feira incluem ao menos oito ex-oficiais da inteligência militar seniores detidos após a destituição do ex-chefe de inteligência e do primeiro-ministro Khin Nyunt, em meados de 2004.

Nyunt foi afastado do cargo após líderes da junta o acusarem de insubordinação e de ser responsável por um grande escândalo de corrupção envolvendo seus subordinados. Ele recebeu sentença de 44 anos em prisão domiciliar, mas foi libertado em anistia de 2012.

Mais de 30 oficiais de inteligência de alto nível ligados a ele, alguns de patentes altas, como generais, foram condenados a penas que variam de 20 anos a mais de 100 anos sob acusações que incluem suborno e corrupção, no que foi amplamente considerado uma luta de poder dentro do país liderado por militares.

*Com AP

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