Após hastear bandeira negra em edifício, Estado Islâmico forçou milhares de pessoas a fugirem para divisa com Turquia

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Defensores curdos e militantes do Estado Islâmico que avançaram sobre Kobani depois de sujeitarem a cidade fronteiriça síria a um cerco de quase três semanas entraram em confronto nas ruas da cidade nesta segunda-feira (6), informou um grupo de monitoramento.

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Mais cedo, o Estado Islâmico hasteou sua bandeira negra no topo de um edifício nos arredores da cidade e forçou milhares de habitantes majoritariamente curdos de Kobani a fugirem pela divisa próxima com a Turquia para se salvarem.

Os combatentes do grupo sunita radical avançaram cerca de 100 metros em direção ao lado leste da cidade, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede em Londres e monitora a guerra na Síria por meio de suas fontes no local.

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“A batalha agora tomou as ruas, está acontecendo dentro da cidade”, declarou Rami Abdelrahman, chefe do Observatório.

O Estado Islâmico quer tomar Kobani para consolidar sua ocupação fulminante de territórios no norte do Iraque e da Síria em nome de uma versão absolutista do islamismo sunita que está abalando o Oriente Médio.

Militantes do grupo rebelde Estado Islâmico hasteiam bandeira em Kobani: cidade sitiada
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Militantes do grupo rebelde Estado Islâmico hasteiam bandeira em Kobani: cidade sitiada

Os ataques aéreos de aviões de guerra dos EUA e de países do Golfo Pérsico não conseguiram conter o avanço do Estado Islâmico sobre Kobani, que a facção cercou por três lados e submeteu a uma artilharia pesada.

Forçados a fugir pelos combates recentes, moradores assustados cruzaram para a Turquia por Yumurtalik, um posto de fronteira improvisado, e ambulâncias com as sirenes ligadas iam e voltavam entre a cidade síria e a Turquia.

“Podemos ouvir o som dos combates na rua”, disse enquanto fugia Parwer Ali Mohamed, tradutor do Partido de União Democrática Curda (PYD). “Mais de duas mil pessoas, incluindo mulheres e crianças, estão sendo retiradas. A polícia turca está verificando nossa bagagem agora."

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Uma bandeira negra do Estado Islâmico era visível pela divisa turca no topo de um prédio de quatro andares próximo do cenário de um dos embates mais intensos dos últimos dias.

Bombas choveram sobre áreas residenciais de Kobani e balas perdidas atingiram o território turco com frequência nos últimos dias, ferindo pessoas e danificando casas.

Durante o fim de semana, o Estado Islâmico também lutou aguerridamente pelo controle de Mistanour, uma colina estratégica com uma visão panorâmica de Kobani. Um vídeo divulgado pelo grupo no domingo (5) parece mostrar seus combatentes no controle de torres de rádio no sopé, mas a filmagem não pôde ser autenticada.

O Partido Democrático do Povo, legenda turca pró-curda, pediu manifestações nas ruas da Turquia em protesto ao ataque do Estado Islâmico contra Kobani, onde a situação está “extremamente grave”.

Cemitério
Militantes também realizaram dois atentados suicidas na cidade de Hasakah, no nordeste da Síria, informou o Observatório, matando pelo menos 30 pessoas.

“Os ataques visaram postos de verificação controlados por combatentes turcos na entrada oeste da cidade. Eles ocorreram com minutos de diferença”, declarou Abdelrahman.

“Se eles entrarem em Kobani, será um cemitério para nós e para eles. Não vamos deixá-los entrar em Kobani enquanto vivermos”, afirmou Esmat al-Sheikh, chefe da Autoridade de Defesa de Kobani, no início desta segunda-feira.

Até agora, a Turquia não se uniu à luta contra o Estado Islâmico nas proximidades de sua fronteira, a não ser pelos disparos contra os militantes do grupo em resposta aos lançamentos de morteiros que caem em solo turco.

No fim de semana, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu retaliar se o Estado Islâmico atacar forças turcas, mas Ancara reluta em ajudar os curdos sírios próximos a Kobani por seu laços com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que a Turquia combate há três décadas.

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