Manifestantes rivais se enfrentam nos arredores de Hong Kong

Por Reuters |

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Depois de noite de confrontos e prisões, manifestantes pró-democracia fizeram barricadas e bloqueios em ruas da cidade

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Mais de 1 mil manifestantes rivais, alguns usando capacetes, se enfrentaram em um distrito densamente povoado de Hong Kong neste sábado (4), reforçando preocupações de que o pior conflito na cidade-Estado controlada pela China nas últimas décadas possa aumentar.

Depois de uma noite de confrontos que resultou em 19 prisões, os defensores da cidade com governo pró-Pequim marcharam próximos a manifestantes pró-democracia em Mong Kok, um bairro operário perto do popular bairro comercial de Tsim Tsa Shui.

Manifestantes pró-democracia bloqueiam cruzamento no distrito de Mongkok (4/10). Foto: Bobby Yip/ReutersHomem segura cartaz com os dizeres 'Não seja fraco' perto de bloqueio feito pelo manifestantes pró-democracia (4/10). Foto: Bobby Yip/ReutersHomem tenta remover uma barricada feita pelos manifestantes pró-democracia que bloqueava rua no distrito de Mongkok (4/10). Foto: Bobby Yip/ReutersHomem que teria começado briga com manifestantes pró-democracia em Hong Kong fica algemado no chão (4/10). Foto: Bobby Yip/ReutersManifestantes pró-democracia (à esq.) para ativista anti-Pequim perto de barraca na rua principal de Hong Kong (3/10). Foto: ReutersAtivista pró-democracia, não retratado, discute com manifestante pró-Pequim, à dir., após ser chutado em Hong Kong (3/10). Foto: ReutersManifestante pró-democracia, centro, agarrado por um pró-Pequim, à dir., no distrito comercial de Mongkok, Hong Kong (3/10) . Foto: ReutersManifestante se emociona enquanto implora por uma solução pacífica para os protestos pró-democracia em Hong Kong (2/10). Foto: APManifestantes levantam as mãos como gesto de ação pacífica durante a mudança de turno policial em frente a um complexo do governo em Hong Kong (2/10). Foto: APAtivistas protestam enquanto cerimônia de hasteamento da bandeira chinesa é realizada com participação do líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, na China (1/10). Foto: APPara editora da BBC, reivindicações fornecem 'propósito' ao movimento estudantil (30/09). Foto: ReutersÔnibus com mensagens de apoio para em uma rua no distrito comercial de Mongkok depois de milhares de manifestantes bloquearem estrada em Hong Kong (30/09). Foto: ReutersManifestantes bloqueiam a rua principal do distrito financeiro central em frente à sede do governo em Hong Kong (29/09). Foto: ReutersManifestante usa celular enquanto tem momento de descanso em Hong Kong (29/09). Foto: Reutersmanifestantes fogem de bombas de efeito moral em Hong Kong (28/09). Foto: ReutersMarcha pede eleições democráticas em Hong Kong (14/09). Foto: Reuters


Muitos residentes de Hong Kong manifestaram raiva e frustração pela forma como a polícia lidou com os distúrbios, com algumas acusando as forças de segurança de cooperar com quadrilhas de criminosos, deixando de fazer prisões e ajudando alguns atacantes a sair do local rapidamente.

"Nós condenamos a violência usada contra civis Hong Kong ontem", disse o líder estudantil Joshua Wong.

"Acho irônico como as pessoas nos acusam de ser violento e radical e agora, depois de uma semana de protestos pacíficos, são elas que usam a violência -- o governo que permite a Tríade (organização criminosa) de cometer brutalidades contra manifestantes pacíficos."

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Depois de uma semana de manifestações na maior parte pacíficas pedindo que Pequim conceda a Hong Kong o direito irrestrito de escolher seu próprio líder, o clima ficou tenso na sexta-feira à noite em uma área notória por ser a casa da Tríade.

Uma agitada multidão de cerca de 2 mil pessoas encheu as ruas estreitas de Mong Kok, uma das áreas mais densamente povoadas do mundo, na madrugada de sábado e a atmosfera mudou quando a tropa de choque da tentou mantê-la sob controle.

Entre os detidos pela polícia estavam oito supostos membros de gangues. Dezoito pessoas ficaram feridas, incluindo seis policiais, segundo a emissora local RTHK.

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Ativistas estudantis, grupos de protesto e cidadãos comuns de Hong Kong se uniram para mostrar a Pequim um dos seus maiores desafios políticos, desde que esmagou violentamente os protestos pró-democracia na Praça Tiananmen em 1989.

Dezenas de milhares de manifestantes permaneceram sentados em toda Hong Kong na semana passada, exigindo que o líder pró-Pequim da cidade, Leung Chun-ying, renuncie e que a China reverta uma decisão tomada em agosto de escolher os candidatos para a eleição de 2017 para governar Hong Kong.

Ameaça: Hong Kong alerta ativistas para reação dura se prédios forem ocupados

Depois que a polícia disparou gás lacrimogêneo contra os manifestantes em sua maioria estudantes na semana passada, as manifestações têm sido em grande parte pacífica.

Mas neste sábado, alguns manifestantes pró-democracia -- com guarda-chuvas na mão e usando capacetes de motociclistas, luvas e jaquetas de couro preto -- se preparavam para confrontos. Dezenas de sinais amarelos ao redor do local ocupado pelos manifestantes pró-democracia diziam: "A polícia e a gangue trabalhando juntos - uma violenta repressão alternativa."

O grupo pró-Pequim, Caring Hong Kong Power, que organizou o comício em Mong Kok na tarde de sábado, disse que apoiava o uso de armas pela polícia, se necessário, e também a mobilização do Exército Popular de Libertação (EPL).

O líder de Hong Kong, Leung, disse que o uso dos soldados EPL não seria necessário.

Um dos principais grupos de estudantes por trás do movimento de protesto "Occupy Central" disse que iria se retirar das negociações planejadas com o governo de Hong Kong, porque acreditava autoridades haviam conspirado nos ataques contra manifestantes em Mong Kok.

O secretário de Segurança Lai Tung-Kwok disse que as alegações de que a polícia estava cooperando com a Tríade eram falsas.

A gangue é conhecida por operar bares, discotecas e casas de massagem por toda Mong Kok, uma área de blocos de apartamentos arranha-céus ao longo do porto em um das principais áreas de protesto.

Cenário: Preocupações sobre Hong Kong tiram o sono de líderes chineses

Algumas vezes na semana passada, a polícia saiu das ruas, dizendo que queria aliviar as tensões, embora a razão de sua aparente ausência nesta manhã de sábado não esteja clara.

A polícia defendeu sua atuação na área, dizendo que exerceu "dignidade e contenção e tentou o melhor para manter a situação sob controle".

Mas a Anistia Internacional divulgou comunicado criticando a polícia por "(falhar) em seu dever de proteger centenas de manifestantes pacíficos pró-democracia dos ataques de manifestantes rivais."

O clube dos correspondentes estrangeiros em Hong Kong, a associação de jornalistas de Hong Kong e a emissora local RTHK condenaram fortemente os ataques violentos contra membros da imprensa durante confrontos de rua ao longo das últimos 24 horas.

"Hong Kong está em uma turbulência que não é vista desde os confrontos de 1967. Sem um monitoramento eficaz dos meios de comunicação, as condições só vão se deteriorar ainda mais, fazendo com que qualquer discussão racional seja impossível", disse a associação em um comunicado.

Cerca de 1 mil manifestantes mantiveram o bloqueio fora dos edifícios administrativos no centro da cidade.

"Sonho"

O Diário do Povo do Partido Comunista, em um editorial de primeira página neste sábado, elogiou a polícia de Hong Kong por conter o protesto que ele classificou como ilegal, incluindo "empurrões" contra policiais com guarda-chuvas.

Os protestos nunca se alastrarão para o resto da China, acrescentou o jornal. "Para a minoria de pessoas que querem fomentar uma 'revolução colorida' no continente por meio de Hong Kong, este é apenas um sonho."

Enfrentando agitação separatista na longínqua e rica área de reservas no Tibete e Xinjiang, Pequim está agindo firmemente em Hong Kong, com medo de que os protestos pela democracia possam se espalhar para o continente, especialmente se forem bem sucedidos.

Manifestações em toda Hong Kong oscilaram muito desde domingo passado, quando a polícia usou spray de pimenta, gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar a pior manifestação em Hong Kong desde que a ex-colônia britânica foi devolvida à China em 1997.

Algumas vezes, dezenas de milhares de pessoas se reuniram para bloquear estradas e edifícios em áreas centrais do centro financeiro global, levando-as a uma paralisação virtual.

A China governa Hong Kong através de uma fórmula "um país, dois sistemas", apoiado pela Lei Básica, que concede a Hong Kong alguma autonomia e liberdades não obtidas no continente e que tem o sufrágio universal como um objetivo final.

Mas Pequim decretou em 31 de agosto que vetaria candidatos que quiserem concorrer ao cargo executivo na eleição em 2017, enfurecendo ativistas da democracia, que tomaram as ruas.

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