Cidade na fronteira da Síria segue sob cerco do Estado Islâmico

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Aviões de guerra da coalizão liderada pelos EUA atingiram alvos do Estado Islâmico para deter avanço dos insurgentes

Reuters

As forças do Estado Islâmico bombardearam neste sábado (4) Kobane, na fronteira da Síria, e os defensores curdos disseram que esperam um novo ataque para tentar capturar a cidade.

Leia também: Estado Islâmico diz ter decapitado britânico em novo vídeo

Aviões de guerra da coalizão liderada pelos Estados Unidos atingiram alvos do Estado Islâmico durante a noite para deter o avanço dos insurgentes, e artilharia deste sábado foi menos intensa do que no dia anterior.

Reuters
Soldados turcos usam gás lacrimogênio em fronteira entre Turquia e Siria

"Os confrontos continuam agora, estão bombardeando nas três frentes. Tentaram invadir Kobane ontem à noite, mas foram repelidos", disse neste sábado à Reuters o oficial sênior curdo da cidade Asya Abdullah.

"Achamos que eles estão planejando lançar outro grande ataque, mas o YPG está preparado para resistir", disse Abdullah, referindo-se ao grupo armado curdo.

Ataques aéreos anteriores da coalizão não conseguiram parar a ofensiva insurgente e um número estimado de 180 mil pessoas fugiram pela fronteira para a Turquia para escapar do combate em torno Kobane -- um conflito que agora ofusca a guerra civil da Síria.

O Estado Islâmico disse que vai tomar a cidade em poucos dias e que rezará em suas mesquitas durante o festival religioso muçulmano de Eid al-Adha, que começou neste sábado.

Em Istambul, o presidente turco, Tayyip Erdogan, reagiu com irritação aos comentários do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, sugerindo que a Turquia havia apoiado grupos na Síria ligados à Al Qaeda.

A Turquia tem sido até agora um parceiro relutante da coalizão de países ocidentais e aliados regionais, liderada pelos EUA, e o novo embate poderá complicar os esforços internacionais para apresentar uma frente unida contra o Estado Islâmico.

Os insurgentes intensificaram sua ofensiva perto da fronteira com a Turquia no mês passado, apoderando-se de aldeias vizinhas e avançando alguns quilômetros adentro de Kobane, que também é conhecida como Ayn al-Arab. Sua captura permitiria ao Estado Islâmico consolidar seu domínio sobre faixas de território na Síria e no Iraque.

Reuters
Menina curda senta no chão em campo de refugiados na fronteira da Turquia

Rápidas ofensivas do Estado Islâmico desde junho chacoalharam a região e levaram os EUA e seus aliados a realizar uma série de bombardeios para deter o avanço rápido dos insurgentes.

Rami Abdelrahman, que dirige o britânico Observatório Sírio para os Direitos Humanos, disse que centenas de pessoas foram mortas em ambos os lados desde que os ataques a Kobane começaram há duas semanas.

Os estrondos da artilharia podiam ser ouvidos tanto a leste como oeste da cidade neste sábado, mas a artilharia foi menos intensa do que no dia anterior, disse uma testemunha da Reuters.

Aviões de guerra da coalizão destruíram um veículo insurgente e mataram cinco combatentes durante incursões no campo para o leste e sul de Kobane na sexta-feira à noite, disse o observatório. Dez combatentes curdos foram mortos em combates pesados que continuaram durante toda a noite.

Irritação
A Turquia tem ficado distante até o momento na luta contra o Estado Islâmico, que até o mês passado manteve 46 turcos como reféns.

Mas a libertação desses reféns e uma decisão do parlamento de renovar o mandato que permite a intervenção de tropas turcas na Síria e no Iraque reforçaram a expectativa de um papel mais ativo por parte da Turquia.

Erdogan no sábado advertiu contra qualquer ataque a soldados turcos mobilizados na tumba de Suleyman Shah, um enclave turco na Síria, agora totalmente cercado por combatentes do Estado Islâmico.

"Se acontecer alguma coisa lá, não podemos hesitar, e tudo vai mudar", disse ele.

Ele também reagiu com irritação aos comentários feitos por Biden, que disse que a Turquia e outros países da região tinham sido tão determinados a derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad, que haviam apoiado grupos extremistas como a Al Qaeda e Frente Nusra.

"Se Biden usou tais expressões, então Biden é história para mim a partir de agora", disse um irritado Erdogan, exigindo um pedido de desculpas.

Ele negou que a Turquia tenha dado assistência a qualquer grupo militante radical ou permitido que combatentes estrangeiros cruzassem a fronteira.

Os comentários de Biden em um discurso para estudantes da Universidade de Harvard na quinta-feira foram os mais fortes de uma autoridade norte-americana sobre o alegado apoio da Turquia a grupos islâmicos nos três anos de guerra civil da Síria. Erdogan tem apelado repetidamente para que o governo Assad seja deposto.

"Eles deram centenas de milhões de dólares e dezenas de milhares de toneladas de armas para qualquer um que quisesse lutar contra Assad", disse Biden. "Exceto pelo fato de que as pessoas que estavam sendo abastecidas eram da al Nusra e da Al Qaeda e extremistas jihadistas vindos de outras partes do mundo."

(Por Ayla Jean Yackley e Sylvia Westall)

Leia tudo sobre: estado islâmicosíriabashar al-assad

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas