Manifestantes suspendem diálogo com o governo de Hong Kong

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Confrontos entre ativistas pró e contra Pequim fizeram vítimas; moradores reclamam do caos e grupo pede proteção a alunos

Ativistas pró-democracia de Hong Kong cancelaram os planos de negociação com o líder local nesta sexta-feira (3) após multidão tentar tirá-los das ruas em uma das principais áreas comerciais da cidade.

Hoje: Ativistas entram em confronto em área comercial de Hong Kong

Reuters
Ativista é contido por policiais depois de romper linha de isolamento no distrito comercial de Mongkok, em Hong Kong


Internet: Filha do líder de Hong Kong agradece contribuintes por sapato de grife

Segundo a Federação de Estudantes de Hong Kong, um dos maiores grupos de liderança dos protestos, disse não ver outra alternativa, se não cancelar a possível conversa com o líder executivo Leung Chun-ying.

"O governo está exigindo que as ruas sejam limpas. Pedimos a rodos para proteger as nossas posições e lutar até o fim", disse o grupo por meio de comunicado.

Chun-ying propôs negociar com os grupos na quinta-feira visando a neutralizar o impasse, o maior desafio à autoridade de Pequim desde que a China assumiu o controle da antiga colônia britânica, em 1997.

Ontem: Líder de Hong Kong descarta renúncia, mas se oferece para negociar

A recusa do político em ceder aos apelos por sua renúncia irritou muitos manifestantes. Eles exigiam que o governo encontrasse os responsáveis pelos confrontos desta sexta-feira no bairro de Mong Kok, em Kowloon, e em outras áreas, formando a mais caótica ação desde que a polícia usou spray de pimenta e gás lacrimogêneo no último final de semana para tentar dispersar os manifestantes.

Assim como essas táticas acabaram atraindo mais pessoas às ruas, os ataques desta sexta também atraíram outras centenas de apoiadores. Não ficou claro se as pessoas que tentam expulsar os manifestantes estavam organizados, embora alguns usassem fitas azuis sinalizando seu apoio ao governo chinês, enquanto os manifestantes têm usado fitas amarelas.

Ameaça: Hong Kong alerta ativistas para reação dura, se prédios forem ocupados

Manifestantes pró-democracia (à esq.) para ativista anti-Pequim perto de barraca na rua principal de Hong Kong (3/10). Foto: ReutersAtivista pró-democracia, não retratado, discute com manifestante pró-Pequim, à dir., após ser chutado em Hong Kong (3/10). Foto: ReutersManifestante pró-democracia, centro, agarrado por um pró-Pequim, à dir., no distrito comercial de Mongkok, Hong Kong (3/10) . Foto: ReutersManifestante se emociona enquanto implora por uma solução pacífica para os protestos pró-democracia em Hong Kong (2/10). Foto: APManifestantes levantam as mãos como gesto de ação pacífica durante a mudança de turno policial em frente a um complexo do governo em Hong Kong (2/10). Foto: APAtivistas protestam enquanto cerimônia de hasteamento da bandeira chinesa é realizada com participação do líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, na China (1/10). Foto: APPara editora da BBC, reivindicações fornecem 'propósito' ao movimento estudantil (30/09). Foto: ReutersÔnibus com mensagens de apoio para em uma rua no distrito comercial de Mongkok depois de milhares de manifestantes bloquearem estrada em Hong Kong (30/09). Foto: ReutersManifestantes bloqueiam a rua principal do distrito financeiro central em frente à sede do governo em Hong Kong (29/09). Foto: ReutersManifestante usa celular enquanto tem momento de descanso em Hong Kong (29/09). Foto: Reutersmanifestantes fogem de bombas de efeito moral em Hong Kong (28/09). Foto: ReutersMarcha pede eleições democráticas em Hong Kong (14/09). Foto: Reuters

Quarta: Ativistas dão ultimato a líder executivo de Hong Kong e exigem sua renúncia

Pelo menos alguns deles eram residentes locais irritados com a inconveniência que ruas bloqueadas e lojas fechadas trouxeram às suas vidas e foram talvez incentivados a tomar o assunto pelas próprias mãos após chamadas da polícia para que manifestantes limpassem as ruas.

"Isso não é sobre minha posição em relação a causa, e sim sobre a legalidade dessas ações [protestos]", disse Donald Chan, 45. "Isso é ilegal. E trouxe caos à cidade."

Nesta tarde, os ativistas pró-democracia, a maioria estudantes, ficaram de braços e mãos cruzados enquanto tentavam manter-se firmes. A polícia formou cordões e escoltou alguns dos manifestantes para longe, enquanto centenas de pessoas gritavam "Vão embora!" e "Vá para casa!".

Perfil: Jovem de 17 anos lidera manifestações em Hong Kong

Mas a maré parecia ter virado à noite, quando centenas se amontoaram no local, gritando contra os adversários dos manifestantes e exigiram que a polícia protegesse os alunos. A polícia acabou acompanhando um pouco da multidão, na faixa dos 30 anos, para fora da área.

O caos levou polícia e outras autoridades a pedirem que todos evitem a violência e voltem para suas casas.

"Não deveríamos usar a violência ou perturbar a ordem social em hipótese alguma", disse o líder executivo. "Todas as pessoas que ocupam essas áreas deveriam se dispersar o quanto antes e reestabelecer a ordem social, e então a vida voltaria ao normal."

Cenário: Preocupações sobre Hong Kong tiram o sono de líderes chineses

Durante o pior momento das manifestações, a polícia foi pressionada duramente para manter a ordem enquanto os dois lados brigavam em um tenso impasse. Algumas pessoas saíram ensanguentadas do tumulto. Pancadas de chuva ocasionais ​​não fez diminuir os grupos nas ruas.

Os manifestantes estão nas ruas desde o dia 26 de setembro, comprometendo-se a preservar o sistema legal de Hong Kong e as liberdades civis. Eles querem que o governo chinês reverta decisão que exige pré-aprovação de Pequim sobre todos os candidatos à liderança da região nas eleições de 2017. Os ativistas querem candidaturas abertas.

Alguns simpáticos à demanda dos manifestantes pela democracia mais ampla reclamaram que a polícia não estava fazendo o suficiente para proteger os estudantes. Mas outros se queixaram que os protestos estão interrompendo suas vidas e interferem de maneira negativa em suas vidas.

Terça: China reitera apoio a governo de Hong Kong pelo fim de protestos

"As manifestações afetaram as entregas da minha empresa, um negócio de perfume", explicou Ken Lai no movimentado bairro de Causeway Bay. "Eu realmente não gosto do fato de eles ocuparem muitas áreas, todas espalhadas pela cidade. Eu também sou habitante de Hong Kong. Os ocupantes não representam todos nós."

*Com AP

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