Ativistas pró e contra Pequim entram em confronto em área comercial de Hong Kong

Por iG São Paulo |

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Polícia foi chamada para conter a violência; centenas atacaram acampamentos e arrancaram faixas pró-democracia na região

Confrontos violentos eclodiram em uma das mais famosas e congestionadas áreas comerciais de Hong Kong nesta sexta-feira (3), bem longe do centro da cidade, quando centenas de partidários do regime chinês atacaram acampamento e arrancaram faixas de manifestantes pró-democracia, forçando muitos a recuar.

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AP
Ativistas pró-democracia, à esq., é pressionado por moradores irritados que tentam remover barricadas que bloqueiam as ruas em Causeway Bay, Hong Kong


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Empurrando e gritando, centenas de residentes de Hong Kong tentavam tirar ativistas pró-democracia que ocupavam as ruas da cidade, enquanto as tensões aumentam nos protestos de uma semana que fecharam partes da região.

As brigas no bairro lotado de Mong Kok, em Kowloon, foram as mais caóticas desde que a polícia usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta no domingo para tentar dispersar os manifestantes que pressionam Pequim por maiores reformas eleitorais.

Dezenas de milhares de ativistas tomaram as ruas de Hong Kong na semana passada para exigir democracia plena na ex-colônia britânica, incluindo um sistema de votação livre quando for escolhido o novo dirigente da região em 2017.

Quarta: Ativistas dão ultimato a líder executivo de Hong Kong e exigem sua renúncia

Líder executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying concordou em abrir negociações com manifestantes pró-democracia, mas recusou-se a renunciar. Com o apoio do governo chinês, Leung deixou claro que não irá recuar diante das piores distúrbios da cidade em décadas.

Já o Secretário de Finanças, John Tsang, advertiu que os contínuos protestos no distrito financeiro poderiam causar danos "permanente" para a cidade, centro financeiro asiático.

Perfil: Jovem de 17 anos lidera manifestações em Hong Kong

O número de participantes na manifestação diminuiu em alguns locais de protesto e em torno da área central em meio à chuva que caía nesta sexta e pelo fato de a população de Hong Kong voltar ao trabalho depois de um feriado de dois dias.

Ativistas disseram que, se as autoridades não agirem para proteger os manifestantes pacíficos desarmados, eles iriam acabar com o acordo firmado sobre as negociações pelo fim do movimento com o governo, medida proposta por Chun-ying.

"Parem com a violência ou acabamos com as negociações", disse grupos de estudantes e outros ativistas em um comunicado.

Cenário: Preocupações sobre Hong Kong tiram o sono de líderes chineses

A polícia foi duramente pressionada para manter a ordem enquanto os dois grupos brigavam em um tenso impasse. Moradores visivelmente mais velhos tentavam forçar um número bem menor de manifestantes a sair das ruas empurrando-os e, por várias vezes, tentando arrastar os jovens para longe.

Ativistas protestam enquanto cerimônia de hasteamento da bandeira chinesa é realizada com participação do líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, na China (1/10). Foto: APPara editora da BBC, reivindicações fornecem 'propósito' ao movimento estudantil (30/09). Foto: ReutersÔnibus com mensagens de apoio para em uma rua no distrito comercial de Mongkok depois de milhares de manifestantes bloquearem estrada em Hong Kong (30/09). Foto: ReutersManifestantes bloqueiam a rua principal do distrito financeiro central em frente à sede do governo em Hong Kong (29/09). Foto: ReutersManifestante usa celular enquanto tem momento de descanso em Hong Kong (29/09). Foto: Reutersmanifestantes fogem de bombas de efeito moral em Hong Kong (28/09). Foto: ReutersMarcha pede eleições democráticas em Hong Kong (14/09). Foto: Reuters

Terça: China reitera apoio a governo de Hong Kong pelo fim de protestos

Os ativistas pró-democracia deram as mãos e ataram os braços enquanto eles tentavam manter-se firmes contra a multidão. A polícia formou cordões e escoltou alguns dos manifestantes para longe, enquanto centenas de espectadores gritavam: "Vão para casa!".

Em Causeway Bay, uma das principais áreas de compras também ocupada por manifestantes, grupos de jovens com máscaras foram levados para longe dos ativistas pela polícia.

Ação: China contempla risco de descontrole por protestos em Hong Kong

A secretária-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, disse nesta sexta-feira que havia começado a organizar as negociações com os manifestantes após o líder rejeitar pedidos de renúncia.

"Estou realmente muito preocupada com os confrontos que temos visto nas ruas", disse Lam.

"Os sentimentos estão em alta e há uma grande chance de conflito nas ruas", disse ela. "Então, estou incentivando os manifestantes que vêm ocupando partes do território para que eles considerem uma retirada estratégica para a polícia restaurar a lei e a ordem". Manifestantes e muitos espectadores estavam filmando os confrontos; um homem tentou pegar uma câmera de vídeo da mão de um ativistas.

Vídeo: Ativistas desafiam a polícia e mantêm ocupação em Hong Kong

"Eu gostaria de apelar para os membros do público que eles observem a legislação de Hong Kong enquanto os ativistas expressam seus pontos de vista", disse o porta-voz da policial Steve Hui, quando perguntado sobre o confronto em Mong Kok, uma área de classe trabalhadora longe de Admiralty, principal local do protesto, no centro de Hong Kong, onde fica a sede do governo do território.

Benny Tai, líder do movimento pró-democracia, fez um apelo público para todos os manifestantes voltarem ao local onde os protestos começaram na semana passada. Segundo ele, a segurança do grupo ficaria garantida naquela área. 

Os protestos, liderados principalmente por estudantes universitários, começaram na sexta-feira passada com o objetivo de pressionar o governo chinês a rever sua recente decisão de exigir aprovação de Pequim sobre os candidatos que vão se candidatar a liderança do território nas eleições de 2017. Manifestantes querem candidaturas abertas.

Um editorial de primeira página no jornal Diário do Povo, publicado pelo Partido Comunista da China, sublinhou a relutância de Pequim em negociar alterações de sua decisão sobre as próximas eleições.

*Com AP e Reuters

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