Governo local diz que ações afetam ordem pública; Pequim diz que estudantes estão empurrando área para o verdadeiro caos

O governo de Hong Kong exortou nesta quinta-feira (2) os manifestantes a acabarem imediatamente com o bloqueio do centro da cidade, dizendo que suas ações estavam afetando a ordem pública e a prestação de serviços públicos. As autoridades alertaram que qualquer tentativa de ocupar edifícios públicos enfrentará uma reação dura e resoluta.

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Manifestante se emociona enquanto implora por uma solução pacífica para os protestos pró-democracia em Hong Kong
AP
Manifestante se emociona enquanto implora por uma solução pacífica para os protestos pró-democracia em Hong Kong


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Os manifestantes, na grande maioria jovens, exigem que o dirigente de Hong Kong, Leung Chun-ying, renuncie até o final desta quinta-feira, ameaçando ocupar prédios do governo se ele não o fizer.

Eles também querem que a China introduza a democracia plena para que a cidade possa escolher livremente o seu líder. Leung, nomeado pelo governo chinês em Pequim, se recusa a deixar o cargo, o que criou um impasse na cidade.

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"Cerca de 3 mil funcionários do governo vão tentar fazer o melhor que puderem amanhã para voltar a trabalhar. Para manter o serviço público, a sede do governo deve funcionar como de costume", disse o governo em comunicado. "Instamos os líderes e organizadores do movimento Ocupem o Centro a encerrarem a manifestação imediatamente."

Em uma entrevista separada, o superintendente da polícia de Hong Kong, Steve Hui, pediu que os manifestantes não bloqueiem ou ocupem edifícios públicos e disse que a polícia iria tomar medidas em conformidade com a lei, se eles fizeram isso.

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"Sempre que houver incidentes grandes e violentos, e crimes, tais como confrontos e outras situações que põem em risco a segurança e a ordem pública, a polícia vai de modo resoluto e firme restaurar a ordem pública", disse Hui, quando questionado sobre como a polícia iria responder se os estudantes levarem adiante sua ameaça.

Os manifestantes começaram a ocupar partes de Hong Kong desde o último fim de semana, exigindo que o líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, renuncie e expresse o seu apoio à democracia plena no território chinês, para que possam escolher livremente o seu próprio líder.

Pequim

Já a capital chinesa advertiu que os protestos pró-democracia em Hong Kong podem empurrar a cidade para o "caos" e reafirmou "forte apoio" a Chun-yingo.

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"O Governo Central vai continuar firme e inabalável no apoio às medidas e políticas adotadas pelo líder Leung e pela polícia da Região Administrativa Especial na gestão desses protestos ilegais, de acordo com a lei", diz editorial publicado na primeira página do Diário do Povo, jornal do órgão central do Partido Comunista Chinês.

"Se os assuntos não forem tratados de acordo com a lei, a sociedade de Hong Kong vai entrar no caos", acrescenta o artigo.

O jornal refere-se aos manifestantes que estão, de acordo com a nota, perturbando a ordem social de forma a prejudicar a estabilidade social e a prosperidade econômica de Hong Kong.

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Desde a escalada de protestos no domingo (28), Pequim tem manifestado apoio às autoridades da antiga colônia britânica e oposição ao que chama de "atos ilegais".

Esta semana, as autoridades chinesas detiveram uma dezena de ativistas em todo o país e interrogaram 60 que expressaram apoio às manifestações pró-democracia em Hong Kong, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional.

Isso "só vem reforçar a razão pela qual tantas pessoas em Hong Kong temem o crescente controle de Pequim sobre os assuntos internos da cidade", disse em comunicado William Nee, representante da Anistia Internacional na China.

*Com Reuters e Agência Brasil

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