Manifestantes dão ultimato a líder executivo de Hong Kong e exigem sua renúncia

Por iG São Paulo |

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Líderes estudantis advertiram que, caso Leung Chun-ying não anuncie sua demissão, haverá ocupação de prédios do governo

Líderes estudantis à frente dos protestos pró-democracia em Hong Kong advertiram nesta quarta-feira (1) que, caso o líder da região não peça demissão até quinta-feira, os manifestantes vão intensificar suas ações e ocuparão prédios do governo.

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AP
Ativistas protestam enquanto cerimônia de hasteamento da bandeira chinesa é realizada com participação do líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, na China


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Ao elevar suas apostas no impasse, os líderes arriscam mais uma rodada de confrontos com a polícia que não deve facilitar a ocupação de prédios do governo. Eles também pressionam o governo chinês, que até agora permaneceu praticamente em silêncio e preferiu deixar o líder executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, lidar com a crise.

Os líderes estudantis, que têm desempenhado papel fundamental na organização das manifestações por reformas eleitorais, querem falar com oficial chinês do governo central, de acordo com Lester Shumo, vice-secretário da Federação dos Estudantes de Hong Kong.

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"Pedimos para que ele converse conosco na praça e fale diretamente com as pessoas", disse Shum. "Este é um movimento pró Hong Kong e não liderados por nenhum grupo específico."

Shum exigiu a renúncia de Leung até o final de quinta-feira. Ele disse que "não há espaço para o diálogo" com Leung porque ele ordenou à polícia para disparar gás lacrimogêneo contra manifestantes no fim de semana, depois do início dos protestos de rua, na sexta-feira.

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Para editora da BBC, reivindicações fornecem 'propósito' ao movimento estudantil (30/09). Foto: ReutersÔnibus com mensagens de apoio para em uma rua no distrito comercial de Mongkok depois de milhares de manifestantes bloquearem estrada em Hong Kong (30/09). Foto: ReutersManifestantes bloqueiam a rua principal do distrito financeiro central em frente à sede do governo em Hong Kong (29/09). Foto: ReutersManifestante usa celular enquanto tem momento de descanso em Hong Kong (29/09). Foto: Reutersmanifestantes fogem de bombas de efeito moral em Hong Kong (28/09). Foto: ReutersMarcha pede eleições democráticas em Hong Kong (14/09). Foto: Reuters

"Leung Chun-ying deve deixar o cargo. Se ele não renunciar, vamos intensificar nossas ações, ocupando vários edifícios importantes do governo", disse ele, acrescentando que os manifestantes não ocupam cargos públicos "essenciais", em locais como hospitais e escritórios de assistência social.

Os manifestantes se opõem a decisão de Pequim, que ordenou em agosto que os candidatos às eleições de 2017 sejam aprovados por um comitê cuja maioria é pró-Pequim. Os ativistas não querem essas restrições enquanto a China renega a promessa de que o chefe do executivo será escolhido através do "voto universal".

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Nesta quarta, milhares de manifestantes pró-democracia tomaram as ruas de Hong Kong, alguns deles zombando das celebrações do Dia Nacional, num momento em que as manifestações se espalhavam para uma nova área da cidade, elevando a pressão sobre o governo em Pequim.

O objetivo dos manifestantes tem sido ocupar partes da cidade, inclusive ao redor do distrito financeiro, no centro, para expressar a fúria pela decisão da China de limitar as opções dos eleitores na eleição de 2017 para o governo local.

Muitos temiam que a polícia usasse a força para expulsar a multidão antes do início das comemorações nesta quarta do aniversário da fundação da República Popular da China, pelo Partido Comunista, em 1949. Esses temores se mostraram infundados.

Nem os trovões, os raios e a chuva pesada fizeram naufragar a determinação dos manifestantes, que se abrigaram debaixo de passagens cobertas enquanto policiais observavam passivamente nas proximidades.

Radiante, o dirigente de Hong Kong, Leung Chun-ying, nomeado por Pequim, apertou a mão de simpatizantes, agitando a bandeira chinesa, mesmo quando os manifestantes que querem que ele renuncie: "Queremos democracia de verdade."

*Com Reuters e AP

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