Jovem yazidi capturada pelo Estado Islâmico diz viver como escrava sexual

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Mayat (nome fictício) foi raptada por membros do EI em agosto durante ofensiva no Sinjar; ela continua refém do grupo sunita

Uma jovem Yazidi sequestrada pelo Estado Islâmico revelou os abusos que vel sofrendo e diz ser "escrava sexual" nas mãos dos extremistas. As informações são do The Independent.

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Reuters
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Com apenas 17 anos, Mayat (nome fictício) foi raptada por membros do EI no dia 3 de agosto durante ofensiva no Sinjar, Iraque. Ela continua como refém do grupo sunita.

O algoz da adolescente permitiu que Mayat falasse com a imprensa "para machucar [seus parentes] ainda mais. Eles [militantes] pediram para que descrevêssemos em detalhes o que estão fazendo conosco", contou ela.

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Os pais da adolescente, refugiados no Curdistão, deram o número de telefone da filha a um jornalista do jornal italiano La Repubblica. A menina implorou para não ter seu nome revelado porque "estou com vergonha do que eles [militantes] estão fazendo comigo".

"Parte de mim gostaria de morrer imediatamente, afundar na terra e sumir. Mas outra parte ainda espera ser salva, e poder abraçar meus pais mais uma vez."

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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Algo em torno de 40 mulheres e jovens estão em poder dos extremistas em uma cidade desconhecida. Segundo estimativa de Mayat, as idades delas variam de 12 a 30 anos.

"O que eles estão fazendo comigo?", diz ela "Tenho muita vergonha de dizer. E nem sei como descrever as torturas que sofro", acrescenta, com seu pequeno vocabulário em inglês.

Durante a entrevista, Mayat descreve como ela e as outras raptadas são mantidas em uma casa vigiada todos os dias por guardas armados. Lá há, segundo ela, "quartos do horror", onde mulheres são estupradas várias vezes por dia e com frequência por diferentes homens.

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"Eles nos tratam como escravas. Somos abusadas por diferentes homens. Alguns chegam de locais bem distantes da Síria", ela diz.

O grupo conquistou uma enorme faixa territorial entre o Iraque e partes da Síria, capturando milhares de mulheres e crianças, de acordo com a Anistia Internacional.

"Eles ameaçam nos bater se tentamos resistir. Muitas vezes, eu gostaria que eles me batessem até a morte. Mas eles são covardes. Nenhum deles tem a coragem de acabar com o nosso sofrimento."

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Mayat disse que algumas das meninas mais jovens pararam de falar por causa dos abusos e foram levadas do local. Várias outras tentam cometer suicídio.

"Às vezes sinto que isso nunca vai acabar. E se isso acontecer, minha vida seria lembrada para sempre pelo medo e tortura que eu passei nas últimas semanas", disse Mayat. "Mesmo se eu sobrevivesse, não sei se seria capaz de remover todo esse horror da minha mente."

A história de Mayat contradiz afirmações anteriores do EI que pretendiam mostrar a vida sob o Estado islâmico, com destaque para seus cuidados com viúvas e crianças.

"Eles já mataram meu corpo. Agora estão matando minha alma."

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