Mayat (nome fictício) foi raptada por membros do EI em agosto durante ofensiva no Sinjar; ela continua refém do grupo sunita

Uma jovem Yazidi sequestrada pelo Estado Islâmico revelou os abusos que vel sofrendo e diz ser "escrava sexual" nas mãos dos extremistas. As informações são do The Independent.

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Mulher da minoria Yazidi, que fugiu da violência na cidade iraquiana de Sinjar, faz pão em campo de refugiados (agosto/2014)
Reuters
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Com apenas 17 anos, Mayat (nome fictício) foi raptada por membros do EI no dia 3 de agosto durante ofensiva no Sinjar, Iraque. Ela continua como refém do grupo sunita.

O algoz da adolescente permitiu que Mayat falasse com a imprensa "para machucar [seus parentes] ainda mais. Eles [militantes] pediram para que descrevêssemos em detalhes o que estão fazendo conosco", contou ela.

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Os pais da adolescente, refugiados no Curdistão, deram o número de telefone da filha a um jornalista do jornal italiano La Repubblica. A menina implorou para não ter seu nome revelado porque "estou com vergonha do que eles [militantes] estão fazendo comigo".

"Parte de mim gostaria de morrer imediatamente, afundar na terra e sumir. Mas outra parte ainda espera ser salva, e poder abraçar meus pais mais uma vez."

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Algo em torno de 40 mulheres e jovens estão em poder dos extremistas em uma cidade desconhecida. Segundo estimativa de Mayat, as idades delas variam de 12 a 30 anos.

"O que eles estão fazendo comigo?", diz ela "Tenho muita vergonha de dizer. E nem sei como descrever as torturas que sofro", acrescenta, com seu pequeno vocabulário em inglês.

Durante a entrevista, Mayat descreve como ela e as outras raptadas são mantidas em uma casa vigiada todos os dias por guardas armados. Lá há, segundo ela, "quartos do horror", onde mulheres são estupradas várias vezes por dia e com frequência por diferentes homens.

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"Eles nos tratam como escravas. Somos abusadas por diferentes homens. Alguns chegam de locais bem distantes da Síria", ela diz.

O grupo conquistou uma enorme faixa territorial entre o Iraque e partes da Síria, capturando milhares de mulheres e crianças, de acordo com a Anistia Internacional.

"Eles ameaçam nos bater se tentamos resistir. Muitas vezes, eu gostaria que eles me batessem até a morte. Mas eles são covardes. Nenhum deles tem a coragem de acabar com o nosso sofrimento."

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Mayat disse que algumas das meninas mais jovens pararam de falar por causa dos abusos e foram levadas do local. Várias outras tentam cometer suicídio.

"Às vezes sinto que isso nunca vai acabar. E se isso acontecer, minha vida seria lembrada para sempre pelo medo e tortura que eu passei nas últimas semanas", disse Mayat. "Mesmo se eu sobrevivesse, não sei se seria capaz de remover todo esse horror da minha mente."

A história de Mayat contradiz afirmações anteriores do EI que pretendiam mostrar a vida sob o Estado islâmico, com destaque para seus cuidados com viúvas e crianças.

"Eles já mataram meu corpo. Agora estão matando minha alma."

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