Rebeldes árabes sírios foram capturados terça a 14 quilômetros a oeste de Kobani; EUA e França querem intensificar os ataques

Reuters

O Estado Islâmico (EI) decapitou sete homens e três mulheres em uma região curda no norte da Síria, disse um grupo de monitoramento dos Direitos Humanos nesta quarta-feira (1), no que descreveu como uma campanha para atemorizar moradores que resistem ao avanço do grupo militante.

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Militantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014)
AP
Militantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014)

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Segundo diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdulrahman, cinco combatentes curdos que lutavam contra o Estado Islâmico, incluindo três mulheres, e mais quatro rebeldes árabes sírios foram capturados e decapitados na terça-feira em um local 14 quilômetros a oeste de Kobani, uma cidade curda cercada pelo Estado Islâmico, nas proximidades da fronteira turca. Abdulrahman disse que um civil curdo também teve a cabeça arrancada.

"Não sei por que foram presos e decapitados. Somente o Estado Islâmico sabe o por quê. Eles querem assustar as pessoas", disse ele. A Reuters não pôde verificar a informação de modo independente.

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O Estado Islâmico tem praticado várias decapitações de combatentes inimigos e civis na Síria e Iraque. Tais atos são com frequência perpetrados em público e acompanhadas de uma mensagem de que qualquer oposição, violenta ou não violenta, não vai ser tolerada.

Combate ao EI

Forças lideradas pelos EUA lançaram ataques aéreos sobre combatentes do Estado Islâmico que cercam uma cidade curda perto da fronteira da Síria com a Turquia, nesta quarta, disseram fontes curdas locais e um grupo de monitoramento, em um raro ataque da coalizão durante o dia.

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Um correspondente da Reuters no lado turco da fronteira pôde ouvir jatos à distância e viu uma coluna de fumaça negra subindo aos céus no sudeste da cidade.

"Hoje, jatos norte-americanos atingiram uma vila a 4 ou 5 quilômetros a sudeste de Kobani, e escutamos que eles destruíram um tanque (do Estado Islâmico)", disse Parwer Mohammed Ali, um tradutor do grupo curdo YPD à Reuters por telefone a partir de Kobani, cidade também conhecida pelo nome de Ain al-Arab.

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Os Estados Unidos têm realizado ataques no Iraque contra o grupo militante desde julho e na Síria desde agosto, com a ajuda de aliados árabes e da Grã-Bretanha. Usando principalmente ataques aéreos, a coalizão busca danificar e destruir bases e forças do grupo separatista da al-Qaeda que tomou grandes faixas territoriais nos dois países.

Esmat al-Sheikh, comandante das forças curdas defendendo Kobani, disse ter havido cinco ataques, mas ele não sabia ainda se tinham sido bem sucedidos. “Os jatos ainda estão circulando”, disse ele por telefone.

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O chefe do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdulrahman, disse que fontes curdas na frente de batalha haviam visto combatentes mortos do Estado Islâmico nos locais dos ataques aéreos. “Curdos viram os corpos”, disse ele.

Também nesta quarta, o presidente francês, François Hollande, disse a França vai ampliar o seu compromisso militar na luta contra os militantes do grupo Estado Islâmico que tomaram o controle de partes do Iraque.

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Em um comunicado divulgado depois que manteve uma reunião sobre o assunto, o gabinete de Hollande disse: "O presidente decidiu reforçar a resposta militar no local". O comunicado não deu detalhes sobre como o compromisso militar seria expandido.

"A França vai continuar a usar de todos os meios para apoiar a oposição democrática na Síria", acrescentou o comunicado.

A França, depois de bombardeios dos Estados Unidos, recentemente começou também a lançar ataques aéreos contra militantes do Estado Islâmico que tomaram porções do norte do Iraque e têm a sua base na vizinha Síria.

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