Estado Islâmico vende antiguidades iraquianas no mercado negro para se financiar

Por Reuters |

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Militantes adquiriram experiência com antiguidades depois de tomarem parte da Síria e do Iraque e seus sítios arqueológicos

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Artefatos iraquianos antigos estão surgindo no mercado negro à medida que militantes do Estado Islâmico usam intermediários na venda de tesouros inestimáveis para financiar suas atividades depois de dominar o norte do país, afirmaram autoridades iraquianas e ocidentais.

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Os militantes adquiriram alguma experiência com antiguidades depois de assumirem o controle de grande parte da Síria, Mosul, no norte do Iraque, e a província de Nínive, em junho, e tiveram acesso a quase dois mil dos 12 mil sítios arqueológicos registrados do país.

A Mesopotâmia, parte do Iraque atual, foi uma das primeiras civilizações. Seu nome significa "entre os rios" em grego, uma referência aos rios Tigre e Eufrates, que tornaram a região um epicentro de agricultura e comércio e uma encruzilhada de civilizações.

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Lugar onde ficavam as antigas Nínive e a Babilônia, cujos jardins suspensos eram uma das sete maravilhas do mundo antigo, a área foi o lar dos sumérios, que deram ao mundo a escrita cuneiforme – a mais antiga forma de escrita ocidental – aproximadamente em 3.100 a.C.

Discursando em uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) em Paris, para alertar sobre o risco para a herança cultural iraquiana, Qais Hussein Rasheed, responsável pelo Museu de Bagdá, disse que grupos organizados estão atuando em coordenação com o Estado Islâmico.

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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"É uma máfia internacional de artefatos", declarou aos repórteres. “Eles identificam os itens e dizem o que podem vender”. Como algumas das peças têm mais de dois mil anos, é difícil saber seu valor exato.

Citando autoridades locais ainda em áreas dominadas pelo Estado Islâmico, Rasheed afirmou que o maior exemplo de pilhagem até agora ocorreu no grande palácio de Kalhu do rei assírio Assurbanípal II, do século nove a.C.

"Tábuas assírias foram roubadas e encontradas em cidades europeias", disse ele. "Alguns destes itens são cortados e vendidos em partes".

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Outra autoridade iraquiana, que não quis se identificar, disse que os artefatos também estão sendo escavados, e que países vizinhos como Jordânia e Turquia precisam fazer mais para evitar que tais peças cruzem as fronteiras.

"As coisas estão passando por nossas fronteiras e indo parar em casas de leilões no exterior", afirmou. "Infelizmente, muito do lucro destes artefatos será usado para financiar o terrorismo".

Um diplomata ocidental declarou ser cedo demais para avaliar exatamente quantos tesouros iraquianos atravessaram as fronteiras.

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"Vimos centenas de milhões de dólares em peças sírias surgirem depois que seus sítios foram saqueados, então é razoável esperar o mesmo do Iraque", disse.

O evento da Unesco, que reuniu diplomatas, autoridades iraquianas e especialistas na herança cultural iraquiana, acontece antes da assembleia geral da entidade, na qual a França irá apresentar uma resolução para chamar a atenção dos países-membros e criar uma missão para ajudar o Iraque a avaliar os danos.

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