Protestos levam Hong Kong a cancelar show de fogos pelo Dia Nacional chinês

Por Reuters |

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Celebração começaria na quarta; revolta é a pior desde que a China retomou da Inglaterra o controle sobre a área, em 1997

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O governo de Hong Kong disse nesta segunda-feira (29) que vai cancelar o tradicional show de fogos de artifício realizado na cidade no Dia Nacional, celebrado em 1º de outubro - data de fundação da República Popular da China -, depois que protestos pró-democracia estouraram no centro financeiro.

Ontem: Ativistas de Hong Kong desafiam a polícia com bombas de gás

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Manifestantes bloqueiam a rua principal do distrito financeiro central em frente à sede do governo em Hong Kong


Agosto: Milhares protestam em Hong Kong; confrontos pró-democracia ganham força

Em comunicado, O governo disse que os fogos foram cancelados por causa de preocupações com a segurança, pois o acesso as principais ruas seria seriamente prejudicado.

Nas primeiras horas desta segunda, tropas de choque ainda avançavam contra manifestantes pró-democracia disparando bombas de gás lacrimogêneo contra barricadas montadas para impedir as forças de segurança no centro da ex-colônia britânica.

Antes, a polícia entrou em confronto com um grupo que bloqueava uma via importante no distrito do governo em desafio a alertas oficiais que consideraram o movimento como ilegal. Vários confrontos ocorriam entre a policiais e manifestantes revoltados com as bombas de gás, disparadas em Hong Kong pela última vez em 2005.

A revolta é a pior desde que a China retomou da Inglaterra o controle sobre Hong Kong, em 1997, e representa um sério desafio aos líderes do Partido Comunista, em Pequim. O governo preocupa-se que os pedidos por democracia se espalhem pelas cidades no país, ameaçando seu poder.

Milhares de manifestantes ainda eram vistos ao redor do principal edifício de governo de Hong Kong, ignorando mensagens de estudantes e de líderes do movimento democrático que pediam recuo diante de possível uso de balas de borracha pela polícia.

"Se eu não participar hoje, vou me detestar no futuro", disse o motorista de táxi Edward Yeung, 55, enquanto gritava contra a polícia na linha de frente dos manifestantes. "Mesmo que eu seja fichado, será glorioso."

A Inglaterra devolveu Hong Kong ao controle chinês sob uma fórmula conhecida como "um país, dois sistemas", que lhe garantiu um alto nível de autonomia e liberdade não desfrutados na China continental.

ReutersManifestante usa celular enquanto tem momento de descanso na madrugada desta segunda-feira

No mês passado, Pequim rejeitou exigência do povo para escolher democraticamente o próximo líder da cidade, fazendo ativistas ameaçarem o distrito financeiro Central. A China quer limitar a eleição a um punhado de candidatos leais a Pequim.

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, prometeu mais cedo uma ação firme contra o movimento conhecido como Occupy Central with Love and Peace (Ocupe o Central com Amor e Paz). "A polícia está determinada a lidar com a situação de maneira apropriada e de acordo com a lei", disse ele menos de duas horas antes do avanço da tropa de choque contra os manifestantes.

Instagram bloqueado

Segundo numerosos relatos, incluindo de jornalistas do jornal New York Times baseados em Hong Kong, o serviço de compartilhamento de fotos do Facebook, Instagram, foi totamente bloqueado na China. A empresa ainda não comentou o assunto.

Os relatos de bloqueio ocorrem em meio aos atos pró-democracia na cidade de administração especial chinesa, onde muitos têm publicado vídeos e fotos mostrando a polícia disparando bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Muitas das fotos estão sendo publicadas com a hashtag "Occupy Central", uma expressão que estava bloqueada neste domingo no Weibo, versão chinesa do Twitter. O site www.blockedinchina.net também indicava que o Instagram estava bloqueado no país, incluindo na capital, Pequim, e em Shenzhen, quinta maior cidade da China.

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