David Cameron pediu hoje aval para o que chamou de 'anos' de ataques aéreos contra os extremistas do grupo Estado Islâmico

Reuters

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu ao Parlamento nesta sexta-feira (26) que vote e aprove "anos" de ataques aéreos contra militantes do Estado Islâmico (EI) no Iraque, dizendo que o grupo é responsável por brutalidade "impressionante" e representa uma ameaça direta à Grã-Bretanha.

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Primeiro-ministro britânico David Cameron se dirige o Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a 69 Assembléia Geral da ONU em Nova York (24/09)
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Primeiro-ministro britânico David Cameron se dirige o Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a 69 Assembléia Geral da ONU em Nova York (24/09)


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Cameron convocou uma sessão especial do Parlamento, que estava em recesso, depois de garantir o apoio de todos os partidos para os ataques contra o EI. A previsão é que o governo vença confortavelmente a votação, prevista para o início da tarde.

"Existe uma ameaça para o povo britânico? A resposta é sim", declarou Cameron no Parlamento, dizendo pensar que a ação precisaria levar "anos" para ser eficaz.

"Isso não é uma ameaça do outro lado do mundo. Se nada for feito, veremos um califado terrorista às margens do Mediterrâneo e na fronteira de um membro da Otan, com a intenção declarada e comprovada de atacar o nosso país e nosso povo."

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Embora o Parlamento deva votar a favor dos ataques aéreos, alguns parlamentares do partido de Cameron, o Conservador, consideram que os bombardeios somente no Iraque são insuficientes e querem que ele estenda a ação, para enfrentar também os militantes do EI na Síria, algo que Cameron disse não estar pronto para fazer por enquanto.

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Alguns parlamentares do oposicionista Partido Trabalhista, de tendência à esquerda, estão desconfortáveis com a perspectiva de qualquer tipo de ação militar, mas Ed Miliband, o líder da legenda, disse que apoia Cameron nos ataques contra o Iraque.

Ameaça

O Iraque recebeu informações "confiáveis" de que militantes do Estado Islâmico planejam atacar o metrô em Paris e nos Estados Unidos, disse o primeiro-ministro iraquiano na quinta-feira. Autoridades dos EUA e da França afirmaram não terem provas que apoiem a afirmação.

Os comentários do premiê, Haider al-Abadi, foram recebidos com surpresa por autoridades de segurança, inteligência e transportes dos dois países. Abadi afirmou ter recebido as informações na manhã desta quinta-feira de militantes capturados no Iraque e concluiu serem críveis depois de pedir maiores detalhes. Os atentados, disse, foram tramados dentro de seu país por "redes" do Estado Islâmico.

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"Eles planejam realizar ataques nos metrôs de Paris e dos Estados Unidos", declarou Abadi a um pequeno grupo de repórteres norte-americanos durante a reunião anual da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. "Pedi informações mais confiáveis, nomes, detalhes, cidades, datas. E pelos detalhes que recebi, sim, parecem críveis."

O próprio Abadi não ofereceu maiores detalhes. Uma autoridade iraquiana de alto escalão, falando sob condição de anonimato, mais tarde declarou que a inteligência do Iraque descobriu "ameaças sérias" e que compartilhou esta informação com as agências de inteligência de seus aliados.

"Uma avaliação completa da veracidade das informações e do quão perto estes planos chegaram da implementação está em andamento", disse o funcionário.

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Ben Rhodes, vice-assessor de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que os EUA "não confirmaram nenhuma ameaça específica".

"Nós certamente levaríamos a sério qualquer informação que os iraquianos estivessem obtendo", afirmou Rhodes aos repórteres que viajavam com Obama no Air Force One, o avião presidencial.

Serviços de segurança franceses também disseram que não tinham nenhuma informação confirmando a declaração de Abadi, disse um funcionário do governo francês sob condição de anonimato.

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