'São psicopatas que estão tentando nos matar. Querendo ou não, eles já declararam guerra contra nós', diz premiê britânico

A Grã-Bretanha, Bélgica e Dinamarca se juntaram, nesta sexta-feira (26), à coalizão liderada pelos EUA que está lançando ataques aéreos contra o Estado Islâmico no Iraque e Síria.

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O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, durante o debate no Parlamento londrino, na Inglaterra
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O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, durante o debate no Parlamento londrino, na Inglaterra


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Legisladores europeus categoricamente descreveram essas ações como fundamentais para a segurança internacional, argumentando que enfrentar os terroristas tornou-se uma questão de urgência.

O primeiro-ministro britânico David Cameron fez um apelo apaixonado por uma ação drástica - observando que os militantes haviam decapitado suas vítimas, furaram seus olhos e realizaram crucificações para promover objetivos "da Idade das Trevas."

"Trata-se de terroristas psicopatas que estão tentando nos matar e nós temos que perceber que, querendo ou não, eles já declararam guerra contra nós", disse ele. "Não há uma opção 'siga em frente'. Nem a opção 'espero que desapareça'."

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Durante debate que durou mais de seis horas, Cameron explicou que as marcas da campanha seriam "paciência e persistência, não choque e pavor" - uma referência à frase associada com a invasão do Iraque.

Essa intervenção impopular lançou uma sombra sobre as discussões, pois os críticos temem que a Europa seja arrastada para um conflito mais amplo, falando especificamente dos combatentes do grupo islâmico na Síria.

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Legisladores britânicos votaram 524-43 em favor da ação. Os belgas também aprovaram a participação esmagadoramente, 114-2, apesar das preocupações generalizadas de que o terrorismo pode mais seguir em sua terra natal como resultado.

Em maio, a Bélgica foi abalada quando um atirador abriu fogo em um museu judaico em Bruxelas, matando quatro pessoas. O suspeito, o cidadão francês Mehdi Nemouche, foi identificado como um militante islâmico que havia voltado da Síria, e os líderes na Bélgica e outros países europeus expressaram seus temores de que outros voltem da Síria e do Iraque para causar mais estragos.

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Mais cedo, Cameron convocou uma sessão especial do Parlamento, que estava em recesso, depois de garantir o apoio de todos os partidos para os ataques contra o EI. A previsão é que o governo vença confortavelmente a votação, prevista para o início da tarde.

"Existe uma ameaça para o povo britânico? A resposta é sim", declarou Cameron no Parlamento, dizendo pensar que a ação precisaria levar "anos" para ser eficaz.

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"Isso não é uma ameaça do outro lado do mundo. Se nada for feito, veremos um califado terrorista às margens do Mediterrâneo e na fronteira de um membro da Otan, com a intenção declarada e comprovada de atacar o nosso país e nosso povo."

Alguns parlamentares do partido de Cameron, o Conservador, consideram que os bombardeios somente no Iraque são insuficientes e querem que ele estenda a ação, para enfrentar também os militantes do EI na Síria, algo que Cameron disse não estar pronto para fazer por enquanto.

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Já políticos da oposicão, membros do Partido Trabalhista, de tendência esquerdista, estão desconfortáveis com a perspectiva de qualquer tipo de ação militar, mas Ed Miliband, o líder da legenda, disse que apoia Cameron nos ataques contra os extremistas no Iraque.

*Com Reuters e AP

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