Estado Islâmico exibe crimes em sessão de cinema ao ar livre no Iraque

Por iG São Paulo |

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Sessões começaram semana passada e acontecem ao ar livre às margens do rio Tigre; o EI incentiva alistamento de voluntários

O Estado Islâmico deu início a sessões de cinema ao ar livre para mostrar vídeos de seus crimes brutais e aterrorizar ainda mais os moradores do norte de Mosul, Iraque, que eles controlam desde junho. As informações são do Indian Today.

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AP
Vídeo do Estado Islâmico mostra a decapitação do britânico David Haines (13/09)


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Esse espetáculo macabro começou na semana passada entre bosques e matas ao longo das margens do rio Tigre, o único lugar que os iraquianos têm para relaxar e aliviar as tensões causadas pela ocupação da segunda maior cidade do Iraque.

Um enorme número de jovens, crianças e famílias se reuniram no local a espera do programa que extremistas mostrariam nos enormes monitores instalados com esse propósito.

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Após as cortinas se abrirem, hinos incentivavam os espectadores a se juntarem ao movimento jihadista sunita e, em particular, ao Estado Islâmico, que ocupa enormes áreas entre os territórios da Síria e do Iraque.

Em seguida, os espectadores ficaram horrorizados ao ver cenas de vários assassinatos sangrentos por carrascos, incluindo decapitações e assassinatos de reféns e prisioneiros de guerra.

O vídeo que chocou a maioria das pessoas mostrou a execução do jornalista britânico David Haines, decapitado por um homem encapuzado com uma faca.

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"As cenas sangrentas que eu e minha família vimos são inacreditáveis. ​​Meu filho de 4 anos me perguntou: 'Pai, por que esse homem mata essas pessoas?'. A pergunta me deixou chocado. Não soube o que responder", disse Mohamed Sobhi Jarallah.

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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Para Jarallah, uma habitante de Mosul de 34 anos, os extremistas têm mostrado os videos para "convencer as pessoas que decapitação, assassinatos e abusos são o que esperam os opositores do grupo."

"O verdadeiro objetivo é aterrorizar", acrescentou.

O porta-voz dos terroristas, Abu Mohamed al-Adnani, pediu no início desta semana que apoiadores do grupo sunita matem cidadãos dos EUA, França e de todos os países que aderiram a coalizão contra eles.

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O colunista e sociólogo Emar Jafar disse que os métodos utilizados pelos jihadistas foram uma tentativa de obter a adesão dos moradores Mosul e utiliza-los a favor do grupo.

"Eles inclusive chamaram crianças e mulheres para o projeto. O terrorismo está sendo mostrado na tela. Isso vai servir também para dissuadir as pessoas que pensam em recuperar sua liberdade", disse Jafar.

"Os extremistas entendem que o filme pode remover a última esperança que resta a eles, bem como qualquer pensamento de resistência", explica o sociólogo.

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Segundo o ativista Mohamed Hashem, os jihadistas abriram recentemente centros de informação em muitas partes do Mosul, especialmente nas áreas mais populosas.

Os centros são geridos por três ou quatro pessoas vestindo uniforme estilo afegão, distribuindo panfletos e instruções emitidos pelo Tribunal da Sharia e estabelecidos pelo grupo para implementar sua versão radical do Islã.

Esses centros de informação apresentam grandes telas em que mostram as operações militares realizadas pelo EI em várias regiões do Iraque. A organização tenta ganhar o apoio dos cidadãos, de modo a recrutar voluntários para lutar em suas fileiras, especialmente adolescentes e crianças, devido à elevada taxa de desemprego em Mosul, explicou Hashem.

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