Em entrevista exclusiva à BBC, porta-voz do Pentágono afirma que grupo tem boa capacidade de se adaptar e reagir a ataques

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Os ataques aéreos liderados pelos EUA interromperam os avanços do autodenominado Estado Islâmico (EI), mas a luta contra o grupo extremista ainda vai levar anos, disse à BBC o porta-voz do Pentágono.

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Representante do Pentágono falou com exclusividade à BBC
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Representante do Pentágono falou com exclusividade à BBC


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"Acreditamos que estamos falando de anos", disse o almirante John Kirby dias após os EUA e países aliados iniciarem ataques aéreos contra o EI na Síria.

A afirmação foi feita no momento em que ativistas relataram novos ataques ao redor da cidade de Kobane, perto da fronteira da Síria com a Turquia. Kobane foi cercada por militantes do Estado Islâmico durante vários dias, forçando cerca de 130 mil curdos sírios a fugir para a Turquia.

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O Estado Islâmico tomou grandes áreas da Síria e do Iraque. Desde agosto, os EUA lançaram cerca de 200 ataques aéreos no Iraque.

Na segunda-feira, os ataques estenderam a campanha para a Síria pela primeira vez. Ativistas dizem que pelo menos 70 militantes do Estado Islâmico, 50 combatentes ligados à Al-Qaeda e oito civis foram mortos nos ataques, que atingiram vários alvos no norte e no leste do país.

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'Êxodo' de Raqqa

Refugiados sírios ameaçados pelo Estado Islâmico fugiram para a Turquia
AP
Refugiados sírios ameaçados pelo Estado Islâmico fugiram para a Turquia

Ontem: Bombardeios liderados pelos EUA matam 70 militantes do Estado Islâmico

Em Washington, o almirante John Kirby disse que os ataques aéreos na Síria tinham diminuído com sucesso o poder do Estado Islâmico. "Achamos que atingimos o alvo", disse ele.

No entanto, ele afirmou que o grupo é competente em se adaptar e reagir a mudanças, e que representa uma "grave ameaça" que não seria eliminada "dentro de dias ou meses."

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O Pentágono disse que aviões bombardeiros, drones e mísseis de cruzeiro Tomahawk foram usados nos ataques. As ações atingiram a sede do Estado Islâmico, em Raqqa, no nordeste da Síria, bem como áreas de treino, veículos e instalações de armazenamento em várias outras áreas.

O presidente americano, Barack Obama, disse que militantes ligados à Al-Qaeda conhecidos como o Grupo de Khorasan também foram alvo. Os EUA acusam o grupo de planejar "ataques iminentes" contra o Ocidente a partir de um reduto a oeste de Aleppo.

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A ofensiva foi organizada em três ondas distintas, com jatos de combate norte-americanos usados na primeira e nações árabes participando na segunda e na terceira, disseram autoridades militares dos EUA.

Menino perto de carro atingido, segundo ativistas, por um ataque aéreo dos EUA na Síria
Reuters
Menino perto de carro atingido, segundo ativistas, por um ataque aéreo dos EUA na Síria


Ação: EUA e aliados dão início a ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Jan Psaki, disse que os EUA haviam alertado a Síria com antecedência para "não se envolver com aviões dos EUA". Mas ela acrescentou que Washington não pediu permissão ou informou com antecedência sobre a programação dos ataques.

Moradores de Raqqa disseram aos jornalistas que os ataques aéreos tiveram um grande impacto sobre os militantes. Um ativista na cidade, Abu Yusef, disse à agência de notícias AFP que os militantes estão agora "focados em tentar salvar suas próprias vidas".

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Abo Mohammed, um morador, disse à Reuters que o principal prédio administrativo da cidade tinha sido atingido por quatro foguetes e que centenas de combatentes que estavam controlando o tráfego e a segurança na rua haviam ido embora.

"Há um êxodo de Raqqa neste momento", disse ele, relatando a fuga não só de militantes, mas também de moradores da cidade.

Distorcendo o Islã

Na terça-feira, Obama elogiou o suporte das nações árabes aos ataques aéreos: "Isto não é uma luta dos EUA sozinhos". Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein e Catar apoiaram ou participaram dos ataques na Síria, disse o presidente americano.

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O secretário de Estado americano, John Kerry, disse a jornalistas que mais de 50 países concordaram em unir esforços para combater o Estado Islâmico.

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"Nós não vamos permitir que esses terroristas encontrem um refúgio seguro em outro lugar", afirmou.

Em Nova York, o chanceler saudita, príncipe Saud al-Faisal, disse: "Hoje estamos diante de uma situação muito perigosa, já que o terrorismo evoluiu de células para exércitos".

Ele disse que a ameaça havia engolido Líbia, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen e "distorcido a imagem do Islã e dos muçulmanos."

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Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu uma coalizão internacional para "destruir" o Estado Islâmico, indicando que se trata de uma luta inevitável.

A BBC apurou que o Parlamento do Reino Unido será chamado na sexta-feira a discutir o possível papel da Grã-Bretanha em ataques aéreos contra alvos de Estado Islâmico.

Rússia: Putin pretende cooperar com países parceiros contra o Estado Islâmico

O presidente sírio, Bashar al-Assad, citado pela imprensa estatal, disse que apoiou todos os esforços internacionais de luta contra o "terrorismo" na Síria.

No entanto, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, um aliado do governo sírio, disse que a ação militar na Síria não tinha "status legal" sem um mandato da ONU ou a aprovação do governo sírio.

Quem é o Estado Islâmico?

Formado a partir da al-Qaeda no Iraque em 2013, o grupo conseguiu conquistar, primeiro, a região de Raqqa, no leste da Síria;

O grupo tomou amplas áreas do Iraque em junho, incluindo Mosul, e declarou um califado nas áreas que controla na Síria e no Iraque;

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Adepto de uma forma extrema de islamismo sunita, o Estado Islâmico tem perseguido não muçulmanos como yazidis e cristãos, assim como os muçulmanos xiitas, que considera hereges;

Conhecido por suas táticas brutais, incluindo decapitações de soldados, jornalistas ocidentais e trabalhadores humanitários;

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A CIA diz que o grupo pode ter até 31 mil combatentes no Iraque e na Síria;

Os EUA têm lançado ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico no nordeste do Iraque desde meados de agosto.

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