Tribunal chinês condena intelectual à prisão perpétua por separatismo

Por iG São Paulo |

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O professor de economia Ilham Tohti foi julgado por dois dias na semana passada sob acusações de dissidência em Xinjiang

Um tribunal chinês impôs a sentença de prisão perpétua nesta terça-feira (23) a um estudioso moderado que defendia a minoria uigur do país, a pena mais grave em uma década proferida a condenados por discurso político ilegal.

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AP
Ilham Tohti, estudioso da minoria chinesa Uigur, gesticula enquanto concede entrevista em sua casa em Pequim, China (fev/2014)


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O professor de economia Ilham Tohti, 44, foi julgado por dois dias na semana passada sob acusações de separatismo na região ocidental de Xinjiang. Seu caso provocou protestos no Ocidente e entre grupos internacionais de direitos humanos.

"Eu sou inocente, eu protesto", gritou Tohti para a corte antes de o juiz ordenar que policiais o levassem de lá, segundo o advogado dele, Li Fangping.

A mulher de Tohti, Guzaili Nu’er, que o viu pela primeira em oito meses durante o julgamento da semana passada, berrou no tribunal quando o veredicto foi anunciado, segundo Li.  O tribunal não atendeu chamadas sobre o julgamento.

Tohti, que é uigur, é o mais recente intelectual moderado a ser condenado pelo governo do presidente chinês, Xi Jinping. A corta também ordenou o confisco de todos os seus bens.

"Isso é totalmente inaceitável", disse Li. "Ele vai apelar. Baseado no texto do veredito, este caso é extremamente politizado."

Ele é conhecido como uma voz moderada com laços tanto na Han chinesa do país quanto no grupo étnico muçulmano uigur, que há muito reclama do tratamento duro do governo na região de Xinjiang, extremo oeste. Membro do Partido Comunista e professor da Universidade Minzu de Pequim, Tohti expunha em um site, o uigur online, as questões que afetavam o grupo étnico. As autoridades chinesas detiveram o estudioso em janeiro, juntamente com sete de seus alunos.

"É claro que esta sentença extrapolou", disse Li. "Mas ele disse que não importa o resultado do julgamento, isso não deve levar ao ódio. Ele sempre disse que quer criar um diálogo com os chineses da etnia han."

A sentença de prisão perpétua vai deixar a esposa de Ilham Tohti, Guzulnur, sem meios para cuidar de seus dois filhos, explicou Li.

O tribunal decidiu que Ilham Tohti havia "enfeitiçado e coagido" os alunos para trabalhar para o site e havia "construído um sindicato do crime", segundo a agência de notícias do governo chinês Xinhua.

"Tohti organizou esse grupo para escrever, editar, traduzir e reimprimir artigos que buscam a separação de Xinjiang da China", noticiou a Xinhua. "Por meio dessa iniciativa online, Tohti encorajou seus companheiros uigures a usarem a violência."

Falando em sua própria defesa, Iham Tohti negou que tivesse incentivado o separatismo, disse Li.

*Com AP e Reuters

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