Relatório da ONU aponta aumento do número de grupos indígenas na América Latina

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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A América Latina tem cerca de 45 milhões de indígenas em 826 comunidades e representam 8,3% da população, afirma a Cepal

Agência Brasil

A América Latina tem cerca de 45 milhões de indígenas em 826 comunidades que representam 8,3% da população, aponta o relatório Povos Indígenas na América Latina: Progressos da Última Década e Desafios para Garantir seus Direitos.

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Veja fotos de povos indígenas no Brasil:

Cineasta Paturi filma cacique Akã na terra indígena Panará, no Pará. Foto: Vincent CarelliPiracumã Yawalapiti pede calma a PMs no Congresso em Brasília, durante mobilização. Foto: André D’EliaPresidente Lula participa das comemorações pela homologação da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol (RR) em 2010. Foto: Mário Vilela/FunaiIndígenas em vigília no Congresso em Brasília, em 1988, para garantir seus direitos no texto final da Constituição. Foto: Beto Ricardo/ISAEsta imagem foi símbolo da campanha pelos direitos indígenas na Constituinte. Foto: Claudia AndujarMarco de bronze para a demarcação física das Terras Indígenas do Rio Negro. Foto: Pedro Martinelli/ISAAbertura da exposição Povos Indígenas no Brasil 1980 - 2013. Foto: Marri Nogueira/Cia de FotometriaVincent Carelli registra líder yanomami Davi Kopenawa na exposição. Foto: Beto Ricardo/ISA

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O documento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) foi apresentado nesta segunda-feira (22), na sede das Nações Unidas, em Nova York, onde ocorre a 1ª Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas.

Segundo a Cepal, o número de 45 milhões de indígenas em 2010 representa aumento de 49,3% em dez anos. Em relatório de 2007, a Cepal estimou que havia 30 milhões de indígenas no ano de 2000 na América Latina, quando foram identificados 642 povos. A Cepal atribui esse aumento à melhoria da informação estatística nos últimos anos e à maior autoidentificação por parte dos povos em sua luta por reconhecimento.

O relatório mostra que, dos 45 milhões de indígenas, 17 milhões vivem no México e 7 milhões, no Peru. Entretanto, os países com maior proporção de população indígena são Bolívia (62,2%), Guatemala (41%), Peru (24,0%) e México (15,1%).

O Brasil, com 900 mil indígenas, tem o maior número de comunidades (305), seguido pela Colômbia (102), Peru (85), México (78) e Bolívia (39). De acordo com o estudo, muitas estão em perigo de desaparecimento físico ou cultural, como no Brasil (70 povos em risco), na Colômbia (35) e na Bolívia (13).

A Cepal estima ainda que existem 200 povos indígenas em isolamento voluntário na Bolívia, no Brasil, na Colômbia, no Equador, no Paraguai, no Peru e na Venezuela.

O estudo indica que têm ocorrido avanços na maioria dos países da região em relação ao reconhecimento dos direitos territoriais, principalmente na demarcação e titulação de terras, mas permanecem importantes desafios relacionados com o controle territorial, incluindo os recursos naturais.

Por esse motivo, foram detectados, entre 2010 e 2013, mais de 200 conflitos em territórios indígenas ligados a atividades extrativas de petróleo, gás e mineração.

"Os movimentos indígenas estão cada vez mais atuantes e governos e setor privado têm negociado cada vez mais com eles. É preciso fortalecer o marco legal e institucional dos países para incluir os indígenas", disse a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena. Para ela, as comunidades devem ser consultadas na questão da governança dos recursos naturais.

A Cepal observou também aumento da participação política dos indígenas, com um contínuo fortalecimento de suas organizações e o estabelecimento de alianças para a atuação política, mas permanece escassa a representação desses povos em órgãos dos Poderes do Estado.

Em educação, a Cepal constatou aumento nas taxas de frequência escolar, com porcentagens de comparecimento entre 82% e 99% para crianças de 6 a 11 anos. Segundo o relatório, persistem, entretanto, diferenças significativas na conclusão do ensino médio e no acesso aos níveis superiores em relação aos indicadores da população não indígena.

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