Autoridades iranianas disseram estar dispostas a trabalhar para deter grupo sunita, mas quer flexibilidade sobre seu programa

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Os Estados Unidos rejeitaram nesta segunda-feira (22) proposta de autoridades do Irã na qual o governo de Teerã cooperaria no combate aos militantes do Estado Islâmico em troca de uma flexibilização no programa nuclear iraniano.

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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, durante a reunião Climate Week de Nova York na Biblioteca Morgan, em Manhattan
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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, durante a reunião Climate Week de Nova York na Biblioteca Morgan, em Manhattan


Ameaça: Estado Islâmico pede para seguidores atacarem cidadãos dos EUA e França

Autoridades iranianas de alto escalão disseram à Reuters que o Irã está disposto a trabalhar junto com os Estados Unidos e seus aliados para deter os combatentes do Estado Islâmico, mas gostaria de obter em troca uma maior flexibilidade no programa iraniano de enriquecimento de urânio.

Perguntado sobre o tema, o porta-voz da Casa Branca John Earnest rejeitou a proposta iraniana. Ele disse que os esforços de potências mundiais para convencerem o Irã a desistir de seu programa nuclear é "totalmente separada" da tentativa do presidente dos EUA, Barack Obama, de formar uma coalizão contra o Estado Islâmico.

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"Os Estados Unidos não ficarão em uma posição de negociar aspectos do programa nuclear iraniano para assegurar compromissos para enfrentar o EI", disse ele, usando a antiga sigla do Estado Islâmico.

Ameaças

O Estado Islâmico pediu nesta segunda a seus seguidores que ataquem cidadãos dos Estados Unidos, da França e de outros países que se juntarem para formar uma coalizão para destruir o grupo militante.

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Porta-voz do Estado Islâmico, Abu Muhammad al-Adnani, também provocou o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros "cruzados" ocidentais em um comunicado divulgado pelo website de monitoramento SITE, dizendo que suas forças enfrentariam uma derrota inevitável perante o poderio dos militantes.

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Os EUA estão formando uma coalizão internacional para combater o grupo radical sunita, o qual tomou grandes faixas de território no Iraque e na Síria e proclamou um califado no coração do Oriente Médio.

Aviões de guerra dos EUA e França bombardearam alvos do Estado Islâmico no Iraque, e, no domingo, os Estados Unidos disseram que outros países haviam indicado disposição para se unirem aos esforços, caso a coalizão prossiga contra alvos na Síria também.

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Adnani disse que a intervenção militar pela coalizão liderada pelos EUA seria a "campanha final dos cruzados", de acordo com a transcrição publicada pelo SITE.

"Ela será rompida e derrotada, assim como todas as suas campanhas anteriores foram rompidas e derrotadas", disse ele, pedindo que seus seguidores atacassem norte-americanos, canadenses, australianos e cidadãos de outras nacionalidades.

Obama autorizou ataques aéreos na Síria para evitar que combatentes do Estado Islâmico buscassem abrigo no país. Washington também comprometeu 500 milhões de dólares para armar e treinar rebeldes sírios, e enviou 1.600 soldados norte-americanos de volta ao Iraque para combater o grupo.

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Em seu pronunciamento, Adnani zombou de líderes ocidentais por estarem aprofundando o engajamento militar na região, e disse que Obama estava repetindo os erros de seu antecessor, George W. Bush.

"Se você combatê-lo (o Estado Islâmico), ele se torna mais forte e resistente. Se você deixá-lo quieto, ele cresce e se expande. Se Obama prometeu a você derrotar o Estado Islâmico, então Bush também mentiu antes dele", disse Adnani, segundo a transcrição.

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Dirigindo-se diretamente a Obama, o porta-voz acrescentou: "Mula dos judeus, você disse hoje que a América não seria atraída novamente para uma guerra em solo. Não, ela será atraída e arrastada novamente. Isso acontecerá no solo e levará à sua morte e destruição."

Obama, que passou grande parte de seu mandato tirando os EUA do Iraque após uma custosa ocupação desde 2003, está cauteloso sobre afirmações de que está sendo arrastado para outra longa campanha que colocará vidas de soldados em risco.

Embora Obama tenha descartado uma missão de combate, representantes militares dizem que a realidade de uma campanha ampla no Iraque, e possivelmente na Síria, pode exigir um uso maior de tropas norte-americanas.

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