Combate terrestre ao Estado Islâmico é dor de cabeça para EUA

Por BBC |

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No Iraque, peshmergas fazem o combate no solo, mas na Síria, Estados Unidos não possuem aliados assim

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O plano anunciado pelo presidente americano para combater o grupo autodenominado Estado Islâmico no Iraque e na Síria possui algumas falhas graves.

A mais importante delas é: se as tropas americanas não vão fazer combate terrestre contra o Estado Islâmico, quem fará isso?

O problema é menos pertinente no Iraque, onde os combatentes peshmerga – de origem curda – estão dispostos a lutar no solo, e podem obter resultados importantes, desde que bem treinados e com bons armamentos. Milícias xiitas também estão combatendo no solo, com apoio iraniano.

Mas a falha é mais claramente exposta na Síria. A estratégia é baseada em uma esperança de que uma "oposição moderada" surgirá, podendo ser armada e treinada para atacar o Estado Islâmico sob a proteção de bombardeios aéreos americanos.

Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Sem aliados

Por mais de três anos, governos do Ocidente tentaram criar uma oposição moderada síria que possa ser amparada com palavras e armas. Mas pouco disso foi conquistado, sobretudo na Síria.

Agora essa ideia, que parecia ter sido abandonada, foi aparentemente retomada.

As dúvidas ficaram expostas esta semana quando o general Martin Dempsey, o mais graduado militar das Forças Armadas americanas, deu um depoimento no Senado.

Obama havia deixado claro em seus planos que não haveria tropas americanas no solo, no combate ao Estado Islâmico. Mas Dempsey sugeriu, em seu depoimento, que seria necessário haver uma operação terrestre. Ele prefere deixar esta opção em aberto.

O problema para os Estados Unidos é que sua política de guerra na Síria está sob ameaça. O governo tem dificuldade de achar aliados confiáveis no combate ao Estado Islâmico.

A maior parte dos grupos sírios armados que lutam desde 2011 contra o regime de Bashar Al-Assad tem medo do Estado Islâmico. Alguns já estão combatendo os insurgentes islamistas.

Muitos combatentes supostamente moderados, como os do Exército pela Libertação da Síria, geralmente não veem problema em se aliar com jihadistas radicais para enfrentar um inimigo comum – no caso o regime de Bashar al-Assad.

O problema para o governo americano é que os Estados Unidos não querem ver suas armas e treinamento acabarem em mãos de inimigos seus, como a al-Qaeda. Criar um exército que faça combates no solo exatamente nos moldes ideais pode ser quase impossível para os Estados Unidos.

E também há os efeitos graves do bombardeio americano. Muitos inocentes acabam morrendo em ataques aéreos – não só os combatentes. E isso faz aumentar o apoio a grupos que lutam contra os Estados Unidos.

Em termos militares, o Estado Islâmico está longe de ser imbatível. Mas sua mensagem tem muita ressonância entre pessoas no Iraque e Síria – sobretudo homens jovens em idade apropriada para lutar, e que estão excluídos de sua sociedade.

As forças aéreas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes possuem imenso poderio de fogo. Mas esses países temem que a morte de sunitas – jihadistas ou não – possa estimular ainda mais a aderência de jovens ao Estado Islâmico.

Já o Estado Islâmico não está atrás de apenas ter apelo junto às massas. O grupo precisa fundamentalmente de quadros dedicados e disciplinados.

É por isso que a guerra contra o Estado Islâmico é tratada com grande cuidado pelos aliados árabes dos americanos. E isso faz com que esse conflito possa ser mais um longo, duro e sangrento capítulo na história do Oriente Médio.

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