Com aviões Rafale, país europeu é o primeiro a se juntar aos EUA na campanha aérea contra o grupo em território iraquiano

Agência Brasil

Aviões da França atacaram nesta sexta-feira (19) estruturas do grupo radical Estado Islâmico (EI) no Iraque. Assim, o país é o primeiro a se juntar aos EUA na campanha área contra o grupo, que tenta controlar regiões estratégicas para financiar projeto de recriar um califado, o que representa a unidade política do mundo islâmico e sobrepõe a ideia de pertencimento nacional, de extinção das fronteiras e de imposição da sharia, a lei islâmica.

Imagem de ataque aéreo francês ao grupo rebelde que atua em partes da Síria e do Iraque
AP
Imagem de ataque aéreo francês ao grupo rebelde que atua em partes da Síria e do Iraque

“Esta manhã, nossos aviões Rafale fizeram um primeiro ataque contra depósito logístico dos terroristas da organização, no Nordeste do Iraque”, informou a Presidência da França, acrescentando que o alvo foi completamente destruído e que outras operações serão executadas nos próximos dias.

Os aviões franceses iniciaram missões de reconhecimento no Iraque no começo da semana, partindo de uma base instalada desde 2009 nos Emirados Árabes Unidos, a 30 quilômetros de Abu Dhabi. Na base, o país tem seis caças Rafale, aproximadamente mil soldados e um porta-aviões. Na quinta (18), o presidente François Hollande afirmou que não haverá ataques na Síria, outro país onde o EI atua.

Por conta do conflito no Nordeste da Síria, o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, anunciou a abertura da fronteira do país para cerca de 4 mil curdos que fugiram dos ataques do EI. Nativos da região conhecida como Curdistão, que abrange áreas do Irã, Iraque, Síria, Turquia, Armênia e Azerbaijão, com 500 mil quilômetros quadrados, os curdos falam idioma próprio, têm população superior a 26 milhões de pessoas e representam o maior grupo étnico sem estado próprio no mundo.

Avião Rafale usado em missão de bombardeio francês ao Estado Islâmico, nesta sexta-feira
AP
Avião Rafale usado em missão de bombardeio francês ao Estado Islâmico, nesta sexta-feira

Desde quarta-feira (17), milhares de curdos sírios que fugiram dos ataques do Estado Islâmico começaram a se concentrar próximos à fronteira com a Turquia. Inicialmente, as forças turcas reforçaram a segurança na fronteira e impediram a entrada dos curdos, em sua maioria mulheres e crianças. Davutoglu disse que determinou a distribuição de ajuda humanitária aos deslocados.

Entretanto, na manhã desta sexta, com o aumento da tensão no posto de fronteira, com 100 turcos de etnia curda exigindo a entrada dos refugiados, o governo acabou cedendo e mudando a posição inicial. Antes, chegou a haver confronto entre curdos turcos e a polícia, que recebeu pedradas dos manifestantes e respondeu com gás lacrimogênio e canhões d'água.

“Acolhemos 4 mil irmãos”, anunciou o primeiro-ministro turco, durante viagem ao Azerbaijão. “As entradas começaram agora, mas o número pode aumentar. Daremos o que eles necessitarem. É uma missão humanitária."

Apesar de receber refugiados e afirmar que seu governo tem o compromisso de ajudá-los, Davutoglu ressaltou que a prioridade é entregar ajuda em território sírio. Atualmente, a Turquia acolhe 1,5 milhão de refugiados da Síria, que, antes do Estado Islâmico, abrigava vários confrontos internos.

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