EUA não vão travar outra guerra em solo no Iraque, diz Obama

Por iG São Paulo |

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Anúncio do presidente americano vem um dia após general levantar no Senado a possibilidade de uso de tropas terrestres

Os EUA não enviarão tropas de combate ao Iraque, voltou a ressaltar, nesta quarta-feira (17), o presidente Barack Obama.

Reuters
O presidente dos EUA, Barack Obama, discursa no Centro de Controle e Prevenção de Doenças em Atlanta, Georgia (16/09)


O anúncio veio no dia seguinte a um discurso no Senado de uma alta autoridade militar americana, no qual afirmou que a opção poderia ser considerada pelo Pentágono, apesar das negativas. 

A afirmação de Obama é uma tentativa de tranquilizar os norte-americanos sobre o nível de envolvimento do país depois que o chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, o general Martin Dempsey, sugeriu que tropas de combate poderiam ser acionadas para atuar novamente no Iraque.

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Obama, que gastou boa parte de seu mandato tentando se distanciar da guerra no país, disse durante pronunciamento na Base Aérea MacDill, em Tampa, que ataques aéreos serão o centro da contribuição para combater o Estado Islâmico, junto com a coordenação de uma coalizão que ele afirmou agora contar com 40 países.

"Eu quero ser claro. As forças americanas que foram enviadas ao Iraque não terão missão de combate", disse ele. "Como seu comandante-em-chefe eu não vou comprometer vocês nem o restante de nossas Forças Armadas a combater outra guerra em solo no Iraque", afirmou Obama.

Sobre seu pronunciamento na terça, Dempsey disse que não havia intenção de colocar consultores militares norte-americanos em combate, pois o plano dos EUA se apoia em outras contribuições, incluindo ataques aéreos. Ainda assim, ele ressaltou em audiência no Senado: "Eu mencionei, no entanto, que se eu achasse que a circunstância demandasse, eu mudaria, é claro, minha recomendação".

AP
O general Martin Dempsey, que disse não descartar uso de tropas terrestres no Iraque

O general contemplou cenários nos quais uma maior participação poderia ser viável, incluindo juntar as forças dos Estados Unidos com os iraquianos durante uma ofensiva complicada, como numa eventual batalha para retomar a cidade de Mosul, no norte do Iraque, dos combatentes do Estado Islâmico.

"Poderia muito bem ser parte daquela missão particular para disponibilizar orientações de combate ou acompanhamento naquela missão", disse. "Mas, para as atividades diárias, acredito que vá evoluir com o tempo. Não vejo necessidade para isso agora."

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse na semana passada que vai liderar uma aliança para derrotar os militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, mergulhando os EUA em um conflito no qual quase todos os países do Oriente Médio têm alguma participação. No entanto, ele descartou a possibilidade de uma missão de combate que pudesse levar o país a uma nova guerra terrestre no Iraque.

Respondendo sobre os comentários de Dempsey, a Casa Branca disse que os conselheiros militares de Obama tinham de se planejar para muitas possibilidades e que a política geral não tinha mudado: o presidente não deslocaria tropas norte-americanas para missões de combate no Iraque ou na Síria.

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse a jornalistas que Dempsey estava "se referindo a um cenário hipotético no qual possa haver uma situação futura na qual o general faria uma recomendação tática ao presidente em relação a tropas terrestres".

Dempsey se pronunciou ao lado do secretário de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, diante do Comitê de Serviços Armados do Senado. Na mesma hora, o governo de Obama apresentou ao Congresso seu plano para ampliar as operações militares contra os militantes sunitas, incluindo ataques aéreos na Síria pela primeira vez.

Síria
Hagel disse que o plano militar será apresentado a Obama pelo Comando Central dos EUA, nesta quarta-feira. A proposta inclui ataques aos redutos mais seguros do grupo militante para comprometer suas capacidades de infraestrutura, logística e capacidades de comando.

Dempsey disse que os ataques aéreos afetariam as capacidades do grupo enquanto esforços mais amplos são desenvolvidos, incluindo o treinamento de 5.400 combatentes sírios na Arábia Saudita.

O Congresso deve aprovar nesta semana um pedido de Obama por US$ 500 milhões para armar e treinar rebeldes sírios moderados, uma das partes de seu programa.

"Não será como uma campanha de 'choque e espanto', porque simplesmente não é o jeito que o Estado Islâmico se organiza. Mas será uma campanha persistente e sustentável", disse Dempsey ao comitê do Senado.

"Choque e espanto" era um termo popularmente utilizado para descrever os primeiros ataques aéreos a Bagdá na campanha norte-americana para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e se refere ao uso exagerado da força para minar a vontade do inimigo de lutar.

*Com CNN e Reuters

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